Crônica
i

São Silvestre: Crônica de um fracasso anunciado… não, pera!

Às vezes, tudo o que a gente precisa é de uma pequena vitória para olhar o ano que passou com menos amargura e encarar o futuro com um pouco mais de esperança

Mais informações

Tudo o que eu tinha me proposto a fazer em meio à ressaca do dia 1º de janeiro de 2015 não tinha dado muito certo: eu comi demais, fui a mais happy hours do que eu deveria (embora menos do que eu gostaria, admito), não treinei como prometi e até atropelada nas férias eu fui. Na véspera da corrida do dia 31 de dezembro, um resfriado e um chute em cheio do dedinho na quina do sofá pareciam me alertar: “desiste que ainda dá tempo”. Quase coloquei meu kit à venda. Mas aí, algo deu errado nos planos: eu acordei, botei o tênis e corri. E, para a minha surpresa, completei o percurso, sem precisar usar o bilhete único emergencial que levei para o caso de querer sair de fininho e pegar um metrô à francesa.

Os mais críticos dirão que é exagero. Afinal, 15 km não são 42 e a São Silvestre está longe de ser uma maratona, embora muitos a chamem assim. Mas, às vezes, tudo o que a gente precisa é de uma pequena vitória para olhar o ano que passou com menos amargura e encarar o futuro com um pouco mais de esperança (desculpem, teve clichê sim!).

E assim, quando a gente menos esperava (mentira, ninguém aguentava mais), 2015 —esse ano em que o Brasil parece ter dado uma guinada a lá JK ao contrário, em muitos aspectos regredindo 50 anos em um —finalmente chegou ao fim. Não deve deixar saudades. Mas, enfim, sobrevivemos.

Marina Novaes é jornalista no EL PAÍS Brasil. Não tem nenhum livro publicado, mas é gente fina.