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Polícia Militar reprime fim de ato de estudantes em São Paulo

Centro da cidade virou cenário de guerra, com barricadas, lixo incendiado e depredação Black blocs tentaram invadir prédio da Secretaria de Educação quando o tumulto começou

Marina Rossi
PM em frente à secretaria de Educação.
PM em frente à secretaria de Educação.Douglas Pingituro (Folhapress)

Divididos entre a euforia da conquista da suspensão da reorganização escolar e o cansaço de quase um mês de ocupações, os secundaristas marcharam por São Paulo na tarde desta quarta contra o projeto de Geraldo Alckmin que previa fechar ao menos 92 escolas. A manifestação, porém, terminou com forte repressão da Polícia Militar no centro da cidade e 10 detidos.

O ato começou de forma pacífica no final da tarde no vão do Masp. De lá, os secundaristas marcharam em direção ao centro da cidade, pela avenida 9 de julho. Chamou a atenção o número reduzido de policiais militares que, até então, era desproporcionalmente maior em relação à quantidade de estudantes.

Barricada na avenida São Luís.
Barricada na avenida São Luís.M. R.

Porém, quando os secundaristas chegaram na praça da República, por volta das nove da noite, um grupo de black blocs se descolou da marcha e foi em direção ao portão da secretaria de Educação do Estado, que fica na praça. Ali, um cordão de policiais armados com escudos, cassetetes e bombas de efeito moral fazia o isolamento do prédio. Rojões foram atirados por black blocs, e bombas, pela polícia. A marcha de estudantes tentou seguir em frente, mas não foi possível devido ao grande número de bombas de efeito moral jogadas no local, que fez com que o ato se dispersasse.

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Sem motivo algum, um PM mirou em direção à reportagem do EL PAÍS e disparou spray de pimenta. A partir de então, a região da avenida São Luís ficou com diversas barricadas, lixo espalhado e incendiado, caçambas reviradas e pontos de ônibus depredados. E foi iniciada uma corrida da polícia atrás dos manifestantes, que correram pela Consolação em direção à avenida Paulista, mas naquele momento o ato já havia acabado.

Desde que as escolas começaram a ser ocupadas, no início de novembro, esta é a primeira grande manifestação que os estudantes organizam. Na semana passada, os secundaristas travaram diversos pontos da cidade, mas em grupos reduzidos, de não mais que 50 alunos. Hoje, os organizadores falaram em 15.000 pessoas nas ruas. A PM informou à reportagem que no auge, eram 800 manifestantes.

Ponto de ônibus depredado na região da avenida São Luís.
Ponto de ônibus depredado na região da avenida São Luís.M.R.

Crise

Os alunos protestam contra a reorganização escolar planejada pelo Governo do Estado, que fecharia ao menos 92 escolas e levaria à transferência compulsória mais de 300.000 alunos. Na semana passada, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou a suspensão do plano, e disse que o projeto ficaria para o ano que vem. Os estudantes pedem que seja cancelado. Contrariados, os estudantes seguem ocupando ao menos 130 escolas. O número já chegou a 200.

Alckmin tentou se descolar da crise que seu plano causou no Governo. Para isso, usou a estratégia de aliar a imagem do ex-secretário de Educação, Herman Voorwald, ao plano da reorganização escolar. Após o anúncio de que o plano havia sido suspenso, Voorwald também anunciou que estava deixando a equipe. A estratégia de Alckmin, porém, não funcionou. Durante todo o protesto, "Geraldo"  foi o único nome mencionado pelos secundaristas, que prometem não parar enquanto não tiverem certeza de que o plano não será colocado em prática no ano que vem, como prevê o Governo.

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