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EUA e Israel tentam consertar relação após divergência sobre Irã

Países aliados tentam fechar acordo para a era pós-Obama

Estados Unidos e Israel se preparam para superar a era Obama, marcada pelos desencontros entre o presidente norte-americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Em sua primeira reunião na Casa Branca em mais de um ano, Obama e Netanyahu abordaram, na segunda-feira, a renegociação do acordo de ajuda militar, que expira em 2017. Descartadas novas conversações de paz entre israelenses e palestinos nos 14 meses que restam a Obama no cargo, a prioridade é reparar os danos na relação entre ambos aliados depois do acordo nuclear com o Irã.

“Não é nenhum segredo que o primeiro-ministro e eu tivemos um grande desacordo nesse tema concreto”, disse Obama ao lado de Netanyahu em uma breve declaração sem perguntas antes de começar a reunião.

O presidente norte-americano se referia ao acordo, alcançado em meados do ano pelas potências do Conselho de Segurança da ONU, para limitar o programa nuclear iraniano em troca de levantar as sanções internacionais sobre o Irã. Obama defende o acordo como a melhor maneira de impedir que os iranianos construam a bomba atômica. Netanyahu acredita que o acordo deixa muitas brechas para que o regime iraniano se arme.

A negociação deixou feridas. Netanyahu e o lobby pró-Israel nos Estados Unidos se mobilizaram para torpedeá-la, sem sucesso. Em março, o primeiro-ministro israelense discursou contra o acordo no Congresso dos Estados Unidos, um vexame diplomático a que o presidente respondeu evitando reunir-se com ele naquela ocasião.

Rússia sela a venda de mísseis antiaéreos a Teerã

EL PAÍS

Irã e Rússia firmaram o contrato de venda a Teerã de sistemas de mísseis terra-ar russos S-300, anunciou na segunda-feira Serguei Chemezov, diretor executivo da Rostec, conglomerado estatal do setor de defesa. “Acredito que começaremos as entregas no final de 2016”, disse Chemezov.

A Rússia fechou o acordo para a venda dos S-300 – sistemas de defesa antiaérea parecidos em suas capacidades com os norte-americanos Patriots – em 2007. Moscou congelou as vendas devido às sanções da ONU ao Irã por causa do seu programa nuclear.

O contrato foi motivo de grandes atritos internacionais nos últimos anos. Israel e as potências sunitas veem com grande receio a entrega a Teerã de armas que afetarão seriamente sua capacidade de ação aérea nos céus da região.

Na Casa Branca, Netanyahu não mencionou o acordo, que dividiu os judeus dos Estados Unidos. Aproveitou a visita de três dias a Washington para acenar aos democratas, partido majoritário entre a comunidade judaica, como o discurso no think tank progressista Center for American Progress na terça-feira.

Tanto Obama como Netanyahu assinalaram a vontade de virar a página. Ambos dedicaram boa parte do encontro, no Salão Oval, a elogiar a solidez de uma aliança que sobreviveu a outras divergências.

“Quero lhe agradecer por esta oportunidade de reforçar nossa amizade, que é forte, e de reforçar nossa aliança, que é forte”, disse Netanyahu. Com a retórica própria dessas reuniões, o primeiro-ministro elogiou os valores e interesses conjuntos dos Estados Unidos e Israel, sustentados, disse, pelo “destino compartilhado” entre ambos países.

Desconfiança

A Casa Branca desconfia da defesa que Netanyahu faz de uma solução com dois Estados no conflito entre israelenses e palestinos, e não acredita que as negociações de paz sejam retomadas de agora até janeiro de 2017, quando termina o último mandato de Obama.

Os assuntos em pauta – da paz com os palestinos até a guerra na Síria, passando pela implementação do acordo com o Irã e o acordo militar entre Estados Unidos e Israel – serão resolvidos quando Obama não for mais presidente.

O atual acordo militar, aprovado em 2007, contempla uma ajuda anual de 3 bilhões de dólares (11 bilhões de reais) durante uma década para Israel. Netanyahu deseja que essa ajuda aumente para 5 bilhões anuais.

Um presidente republicano, ideologicamente alinhado com Netanyahu, melhorará a relação. Mas também a favorita democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, marcou distância das políticas de Obama. Em setembro disse que criticar em público o Governo israelense “abre as portas para que todo mundo deslegitime Israel”.

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