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Scioli e Macri, a política dos nascidos em “berço de ouro” na Argentina

Os dois candidatos provêm de famílias de empresários e, até 2003, eram liberais

Daniel Scioli no momento da vitória REUTERS/LIVE

Daniel Scioli e Mauricio Macri estão politicamente em lados opostos e, nestes 12 anos, o primeiro apoiou todas as medidas dos Governos de Néstor e Cristina Kirchner e o segundo, praticamente não apoiou nenhuma. No entanto, ambos compartilham uma trajetória de vida parecida: provêm de famílias de empresários e, até que o kirchnerismo aparecesse, em 2003, eram liberais.

Scioli nasceu em 1957 em Buenos Aires, filho do dono de uma famosa loja de eletrodomésticos e acionista minoritário de um canal de televisão.

Macri veio ao mundo dois anos depois no seio de uma família mais rica. Nasceu em Tandil, município da província de Buenos Aires no qual sua mãe tinha terras. Seu pai é um poderoso empresário da construção que também fez negócios na indústria automobilística e no Correio oficial.

Scioli se tornou famoso nas décadas de oitenta e noventa como campeão mundial de motonáutica, uma modalidade que pouco interessava aos argentinos, mas que a rede de televisão de seu pai difundia dia e noite. Macri se tornou conhecido em 1991, quando trabalhava nas empresas do pai e foi sequestrado por um bando de delinquentes e policiais. Esteve 14 dias no que ele define como “um caixão”, até que seu pai pagou o resgate. Scioli havia negociado em 1977 a libertação de seu irmão, sequestrado pela guerrilha peronista dos Montoneros.

O principal candidato oposicionista também ganhou fama no esporte. Em 1995, em meio a receios do pai sobre sua gestão nas empresas, iniciou uma carreira à parte: candidatou-se a presidente do Boca Juniors e ganhou as eleições. Em 12 anos conseguiu fazer com que o Boca obtivesse dois de seus três títulos mundiais.

Em 1997, o então presidente argentino, Carlos Menem (1989-1999), um peronista transformado em neoliberal, convidou Scioli a aderir a seu partido e nesse ano ele se elegeu deputado. Macri anunciou sua entrada na política em 2001. Em 2003 criou um partido próprio, o Proposta Republicana (PRO), e perdeu as eleições para a prefeitura de Buenos Aires. Nesse ano Scioli foi eleito vice-presidente da Argentina, como número 2 de Néstor Kirchner, que fez o peronismo se voltar para a esquerda.

Há oito anos Macri governa a capital argentina, onde 7% dos argentinos vivem e Scioli administra a província de Buenos Aires, distrito separado do primeiro, tão grande quanto a Itália e que concentra 39% dos habitantes do país. Macri, engenheiro a vida toda, está sendo processado por suposta espionagem. Scioli se graduou em marketing há menos de um mês e quase ao mesmo tempo se livrou de uma causa sobre suposto enriquecimento ilícito, na qual não chegou a ser formalmente acusado. O kirchnerismo os separou nesses 12 anos, mas ambos vêm de mundos semelhantes e se definem como bons amigos.

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