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Chapo Guzmán burlou cerco militar em duas ocasiões

Traficante usou pequeno avião após fugir da prisão

Fontes oficiais temem uma aliança com o Cartel de Jalisco

Soldado vigia prisão nos arredores de Cosalá, Sinaloa.
Soldado vigia prisão nos arredores de Cosalá, Sinaloa. AFP

A lenda se agiganta. Joaquín Guzmán Loera, El Chapo, o traficante cuja fuga colocou em xeque o Estado mexicano, já burlou duas vezes o cerco de seus perseguidores. A primeira vez foi no fim de julho em Los Mochis, Sinaloa, e há oito dias, em um rancho na Serra Madre. Segundo fontes próximas à investigação, em ambas as ocasiões o homem mais procurado da América se livrou por minutos de cair nas mãos dos comandos de elite da Marinha. Após sua última fuga, ele ficou ferido nas pernas e no rosto, supostamente por se acidentar no carro 4 x 4 em que fugia.

Ninguém sabe com certeza como ele conseguiu escapar duas vezes. Se teve sorte, previsão ou um aviso direto é algo, possivelmente, ficará enterrado para sempre. Já em 2014, nas semanas anteriores a sua prisão em um apartamento turístico de Mazatlán, ele também fugiu de seus perseguidores no último momento. Foi em uma casa de segurança de Culiacán. Uma porta de blindagem hidráulica lhe deu os minutos necessários para escapar por um corredor que desembocava nos esgotos. Após esse episódio, do qual também saiu ferido, decidiu romper seu círculo de segurança, na crença de que estava minado pelos serviços de inteligência, e buscar refúgio nas montanhas de Sinaloa, onde cresceu. Antes de sua partida, visitou a esposa e suas filhas gêmeas. Essa foi sua perdição.

Agora, todas as suspeitas volta a situá-lo no chamado Triângulo de Ouro, entre Sinaloa e Durango. A esse reino do narcotráfico foram deslocadas as unidades de elite da Marinha. Implacáveis e treinadas para missões de alto risco, essas forças estão entre as poucas do México que gozam da confiança plena dos Estados Unidos. No ano passado, detiveram Guzmán Loera e agora já voltou a cair sobre eles a responsabilidade de agarrá-lo. Para cumprir sua missão, dispõem de um gigantesco arsenal de inteligência e meios, mas também da pressão do Governo mexicano, a quem a espamtosa fuga de El Chapo deixou em maus lençóis diante de seu vizinho do norte e de sua própria população.

AFP

A reconstrução policial mostra que, após sua fuga da prisão de segurança máxima de El Altiplano por um túnel de 1.500 metros, El Chapo foi levado de carro até Querétaro, no centro do país. E dali foi levado de avião às montanhas de Sinaloa. O piloto já foi detido. E os drones dos Estados Unidos permitiram rastrear chamadas fundamentais no entorno do criminoso.

Com esses meios, o cerco se apertou. Mas o líder do cartel de Sinaloa, livre em um território que conhece como a palma de sua mão, está demonstrando uma enorme capacidade de evasão. Seus movimentos se tornaram imprevisíveis. Os saltos e fugas são contínuos. E seus homens não tremem na hora de disparar. Pouco lhes importa que sejam tropas da infantaria ou os comandos da Marinha. O Chapo, por enquanto, resiste.

O líder do cartel de Sinaloa, livre em um território que conhece como a palma de sua mão, está demonstrando uma enorme capacidade de evasão

Nessa coreografia da evasão, Guzmán Loera não está sozinho. A seu lado, conta com seu parceiro histórico, Ismael Zambada, El Mayo, um dos grandes chefes do narcotráfico mexicano. Com seu apoio, El Chapo teria organizado sua fuga do presídio e encontrado refúgios nas montanhas da Serra Madre.

Junto a essa ajuda, algumas fontes oficiais citadas por meios mexicanos destacam uma estratégica e recente aliança com o Cartel Jalisco Nova Geração, o terrível grupo que em maio passado derrubou um helicóptero militar e estrangulou em plena luz do dia a cidade de Guadalajara, a terceira maior do país. Esse pacto, além de multiplicar a capacidade letal de ambas as organizações, poderia ter ampliado o campo de ação de El Chapo e, portanto, suas possibilidades de fuga. Uma nova dificuldade para um objetivo que se tornou uma prova de fogo para a credibilidade do Estado mexicano.

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