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Eliminatórias Copa do Mundo
Análise
Exposição educativa de ideias, suposições ou hipóteses, baseada em fatos comprovados (que não precisam ser estritamente atualidades) referidos no texto. Se excluem os juízos de valor e o texto se aproxima a um artigo de opinião, sem julgar ou fazer previsões, simplesmente formulando hipóteses, dando explicações justificadas e reunindo vários dados

O dia em que Dunga e Dilma sobreviveram

Seleção venceu a Venezuela por 3x1 e a petista barrou no STF o rito de impeachment

Ricardo Oliveira e Willian celebram gol na vitória brasileira.
Ricardo Oliveira e Willian celebram gol na vitória brasileira.Marcelo Sayão (EFE)

Futebol e política nem sempre caminham juntos, mas nesta terça-feira o dia do técnico Dunga e da presidenta Dilma Rousseff foi bastante parecido. A seleção que no passado foi chamada de “Pátria em chuteiras” pelo escritor Nelson Rodrigues -o Shakespeare dos trópicos-, ufa, conseguiu um respiro e venceu a Venezuela por 3x1, em Fortaleza (Ceará). A petista, também por três vezes, barrou, no Supremo Tribunal Federal, por enquanto, o rito de impeachment definido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A sensação no Palácio do Planalto foi a mesma: ufa.

Dunga não saiu da crise de credibilidade por qual passa o time da CBF. Dilma, tampouco. O país segue atolado em complicada situação político-econômica. A gente brasileira, creio, sabe separar bem a sua paixão futebolística da zona de confusão de Brasília. A partida contra a equipe bolivariana, todavia, foi politizada desde a véspera, quando o boleiro Daniel Alves (Barcelona) afirmou que a seleção brasileira estava “pagando o pato” da revolta nacional com a crise.

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O palpite infeliz do sertanejo baiano de Juazeiro, antes rejeitado por Dunga, foi apenas motivo de riso no país. Vamos ao jogo, bem mais fácil de explicar do que o surreal cenário político brasileiro onde corrupto acusa corrupto como em um faroeste sem fim. Nunca foi tão difícil separar mocinhos de bandidos.

Égua, macho!

O time canarinho sacou mais rápido. Logo aos 36 segundos, com um tiro de Willian (Chelsea), em falha coletiva dos venezuelanos, ufa, a equipe respirou e esqueceu o vexame contra o Chile, no primeiro embate das Eliminatórias da Copa do Mundo. Willian de novo e Ricardo Oliveira (Santos) fecharam o placar. O time cor de vinho tinto assinalou o tento solitário com o bravo Santos.

O Castelão, na terra onde tem mais humoristas no Brasil, sorriu com ironia. Um sonoro e coletivo égua, macho! parecia ecoar no estádio. A sacana expressão regionalista é usada em momento de susto, surpresa ou espanto diante do inesperado.

Willian foi o cara. Jogou muito. Oscar (Chelsea), lerdo, o antagonista, foi substituído pelo excelente Lucas Lima (Santos). Kaká, ainda aquele do Real Madrid, entrou para ouvir os gritinhos histéricos das moças, mas nada fez que preste. As alterações desde o início da partida funcionaram: Alisson (Internacional) entrou no lugar do goleiro Jeferson (Botafogo); Filipe Luís (Atlético de Madrid) substituiu Marcelo (Real Madrid); Ricardo Oliveira (Santos) ganhou a vaga de Hulk (Zenit).

Tudo bem, o adversário esteve tão fraco quanto a economia venezuelana, mas, ufa, o Dunga, assim como Dilma, dormiu sem a ajuda de calmantes.

Xico Sá, escritor e jornalista, é comentarista do “Redação Sportv”, e autor de “Os Machões Dançaram” (editora Record).

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