TIROTEIO nos ESTADOS UNIDOS

Obama afirma que os Estados Unidos ficaram “insensíveis” aos tiroteios

Para o presidente democrata, “condolências e orações não bastam”

Obama, durante entrevista nesta quinta-feira.
Obama, durante entrevista nesta quinta-feira.K. D. (EFE)

Com semblante entristecido e mostrando em certos momentos irritação, Barack Obama condenou nesta quinta-feira o tiroteio que levou à morte de 13 pessoas em uma universidade do Oregon, na região noroeste do país. O presidente norte-americano acusou os Estados Unidos de ter “ficado insensível” diante desse tipo de acontecimento e, depois de transmitir suas condolências às famílias das vítimas, afirmou que “nossas orações já não são suficientes”.

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“Eu afirmei alguns meses atrás, antes deste evento, que nossos pensamentos e orações já não são suficientes”, disse Obama. “Mais uma vez, novas famílias norte-americanas, novos pais, novas mães e novos filhos têm as suas vidas mudadas para sempre”. Enquanto os Estados Unidos digerem mais uma chacina, afirmou o presidente, “outras vítimas são obrigadas a reviver a sua dor, e outras famílias sofrem o pavor de sentir que poderiam ter sido os seus”.

Obama se mostrou visivelmente frustrado ao defender que as condolências transmitidas às famílias “não são suficientes para expressar a dor e a raiva que deveríamos estar sentindo”. O presidente convidou a população a refletir sobre como fazer com que os políticos implementem uma regulamentação definitiva do porte de armas, pois não há nada além disso que possa “prevenir que o mesmo volte a acontecer na semana que vem ou dentro de alguns meses”.

O governante norte-americano, que já admitiu mais de uma vez que o dia mais doloroso de seu mandato foi o do tiroteio na escola de Sandy Hook, lembrou também as chacinas ocorridas em Columbine, Virginia Tech, Aurora, Tucson e Charleston. "Todos os países do mundo têm cidadãos com doenças mentais, mas nós somos o único que sofre esse tipo de tiroteio todos os meses”, disse Obama, intercalando suas frases com momentos de silêncio. “Isso se tornou uma rotina, nós ficamos insensíveis”.

Segundo o jornalista da CBS Mark Knoller, o presidente falou à imprensa depois de algum tiroteio 15 vezes, contando a desta quinta-feira. “Não é possível que uma pessoa que queira fazer mal a outra encontre tanta facilidade para fazê-lo”, disse Obama. “Espero e rezarei para que não precise comparecer aqui novamente para transmitir condolências a outras famílias”.

O presidente indagou, em seu pronunciamento, por que os Estados Unidos consertam estradas quando o asfalto se danifica e promovem o socorro a vítimas de um furacão, mas consideram, ao mesmo tempo, que “a regulamentação do porte de armas é outra coisa”? Obama qualificou os tiroteios de eventos “evitáveis” e argumentou que qualquer que seja a reforma, ela ainda permitiria que aqueles que possuíssem uma arma legalmente pudessem continuar caçando ou praticando tiro. “Não faz sentido pensar que a nossa Constituição impede que façamos qualquer reforma, por menor que seja”.

A proposta de regulamentação de Obama não seguiu adiante apesar da comoção causada pela chacina de Newton, no final de 2012. Nesta quinta-feira, o presidente foi especialmente duro com seus detratores ao afirmar que “todos nós temos uma responsabilidade coletiva pela dor das famílias que perderam seus entes queridos".

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