Venezuela

Nascimento e morte de Chávez serão datas oficiais nas escolas da Venezuela

Os alunos deverão apresentar uma lição do personagem e realizar atividades alusivas a ele

Hugo Chávez na Assembleia Geral da ONU em 2006.
Hugo Chávez na Assembleia Geral da ONU em 2006.M. SEGAR / Reuters

Com o nome de Hugo Chávez são fundados bairros em invasões de terras e batizadas rodovias recém-inauguradas por seus sucessores na Venezuela. Nos novos livros didáticos de história, várias páginas são dedicadas à sua carreira. E a partir do próximo ano letivo, que começa em meados de setembro, as datas de seu nascimento e morte, 28 de julho e 5 de março, serão uma efeméride de cumprimento obrigatório nas escolas venezuelanas, de acordo com uma recente resolução do Ministério da Educação.

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A decisão, publicada no Diário Oficial de 4 de setembro, é mais uma aposta para tornar o líder da autoproclamada revolução bolivariana um novo prócer venezuelano. As associações civis educacionais que se opõem ao Governo afirmaram que não foram consultadas sobre a decisão e consideram que a medida favorecerá o proselitismo político nas salas de aula.

De acordo com o decreto, os alunos deverão apresentar uma lição durante a semana de celebração do personagem (Chávez) e realizar atividades alusivas a ele. Os diretores das escolas são responsáveis por garantir os atos sem que isso implique que seja um feriado.

Civis de destaque

A decisão é coerente com a linha chavista de resgatar civis com trajetórias de destaque. Entre eles está o inventor da vacina contra a lepra, Jacinto Convit, e figuras consideradas como antecessores: Ezequiel Zamora, protagonista da Guerra Federal (1859-1963) e promotor da reforma agrária; mártires comunistas como Alberto Lovera, assassinado pela polícia política durante o governo de Raúl Leoni; ou o ex-presidente nacionalista Cipriano Castro (1899-1908), que enfrentou o bloqueio de Alemanha, Inglaterra e outras potências por não pagar sua dívida externa. Castro pronunciou uma frase muito usada pelo ex-presidente Chávez contra Washington: “A planta insolente do estrangeiro profanou o solo sagrado da pátria”.

Alguns historiadores acreditam que ainda é muito cedo para avaliar o impacto do legado de Chávez. Durante os governos que antecederam o do falecido presidente, entre 1958 e 1998, os livros de história desenvolviam os marcos mais importantes do mandato presidencial e mencionavam o presidente de turno como um de seus artífices. No calendário de efemérides chavista nenhum deles está presente.

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