Caso de corrução na FIFA

Amistoso entre Argentina e Bolívia foi acertado em uma prisão

Ex-presidente da Federação Boliviana de Futebol assinou o contrato na cadeia

Lionel Messi, em partida no último dia 29.
Lionel Messi, em partida no último dia 29.Alex Caparros (Getty)

A partida amistosa disputada na sexta-feira em Houston (EUA) entre as seleções da Argentina e da Bolívia foi acertada em uma prisão boliviana, em Santa Cruz de la Sierra. O tesoureiro da Federação Boliviana de Futebol (FBF), Walter Zuleta, declarou em um artigo publicado na quinta-feira pela BBC que em 4 de agosto o então presidente da entidade, Carlos Chávez, assinou o contrato para a realização do encontro. Em 25 de agosto, a FBF destituiu Chávez do cargo, dois meses depois do estouro do escândalo de subornos da FIFA, na qual apareceu envolvido desde o começo, e um mês mais tarde foi preso.

O amistoso, no qual Lionel Messi estará no banco e jogará somente alguns minutos, foi organizado por duas empresas argentinas acusadas de receber subornos dos dirigentes da FIFA, a Torneios e Competições e a Full Play. A Torneios e Competições pertence à operadora norte-americana de tevê por satélite DirecTV e a dois acionistas argentinos, os empresários Nofal e Alejandro Burzaco, detido nos EUA pelo escândalo. A Full Play é propriedade de Hugo e Mariano Jinkis, que na semana passada conseguiram a liberdade sob fiança depois de dois meses presos na Argentina.

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Fontes da Torneios e Competições disseram ao EL PAÍS que essa empresa negociou o contrato com o gerente da seleção boliviana, o ex-goleiro argentino José Burtovoy, e não com Chávez. Reconhecem, entretanto, que o então presidente da FBF assinou o convênio na prisão para formalizá-lo.

13 países, entre eles o Brasil, Honduras, e alguns da Europa, África e Ásia, se recusaram a jogar o amistoso contra a seleção dirigida por Gerardo Martino porque preferem evitar os negócios com empresas envolvidas no caso de corrupção da FIFA. A Associação de Futebol Argentino (AFA), presidida por Luis Segura, abaixou sua taxa de um milhão de dólares (3,79 milhões de reais) para 450.000 (1,70 milhão de reais) na tentativa de conseguir um rival. A Bolívia aceitou. “Parece que existia uma relação de amizade entre Chávez e as empresas que promovem a partida”, disse o tesoureiro Zuleta. A Full Play é a empresa que há anos gere as partidas da seleção boliviana. “Nós ficamos sabendo depois, quando recebemos o convênio assinado por outra fonte. Precisamos levar a equipe, não temos outra opção”, disse o tesoureiro da federação agora presidida por Marco Ortega.

A partida é organizada por duas empresas argentinas envolvidas no escândalo da FIFA

“Tudo o que está acontecendo não faz bem ao futebol argentino”, reconhece uma das estrelas da Argentina, Javier Mascherano, em uma entrevista recente com a emissora de rádio La Red, de Buenos Aires. “A imagem que mostramos ao mundo não é boa, é a realidade. De nossa parte tentaremos fazer as coisas da maneira mais normal possível”, disse Mascherano.

No último amistoso antes do começo das eliminatórias sul-americanas para a Copa da Rússia de 2018, a Argentina será escalada, segundo o jornal Clarín, com Sergio Romero; Milton Casco; Gonzalo Rodríguez, Ramiro Funes Mori, Emmanuel Mas; Roberto Pereyra, Matías Kranevitter e Erik Lamela; Ezequiel Lavezzi, Sergio Agüero e Nicolás Gaitán. A seleção de Julio César Baldivieso virá com Daniel Vaca; Miguel Hurtado, Ronald Eguino, Ronald Raldes e Edward Zenteno; Danny Bejarano, Alejandro Melean, Martín Smedberg e Rudy Cardoso; Juan Carlos Arce e Marcelo Martins. O espetáculo e os negócios devem continuar.

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