Serviço de Hospedagem

A impunidade reina no Airbnb

Usuários do portal alugam dezenas de moradias, muitas sem licença e que são sublocadas sem conhecimento dos proprietários

María Sánchez e José Pablo são dois dos prejudicados pelo Airbnb.
María Sánchez e José Pablo são dois dos prejudicados pelo Airbnb.JUAN BARBOSA

Os portais de aluguel de acomodações para turistas, como o Airbnb, abriram a porta para falsos anfitriões que chegam a anunciar dezenas de endereços diferentes. A maioria se trata de apartamentos alugados a longo prazo por seus proprietários para pessoas que nunca chegam a morar neles. Pelo contrário, esses inquilinos exploram os imóveis como alojamento para viajantes, às vezes sem o conhecimento do verdadeiro dono. A atividade costuma trazer um lucro 150% superior ao que pagam pelo imóvel. Ganhos que não declaram à Agência Tributária.

Dos usuários do Airbnb, 30% têm mais de um anúncio no portal, segundo fontes da empresa. “A plataforma se destina a pessoas que alugam um espaço em sua casa ou o imóvel inteiro”, defende um porta-voz. Ele admite que os profissionais também a usam, apesar de não ser fácil: “O site exige que mantenham um perfil individualizado para cada propriedade”.

Algo que não tem sido um obstáculo para Oscar e Diego, o perfil que mais tinha anúncios de Barcelona nesse portal em abril passado, segundo o site Inside Airbnb. Eram 77, todos com licença. Laia & Mohamed, por outro lado, contam com uma dezena de ofertas, mas só quatro mostram os números de inscrição no Registro de Turismo da Catalunha. Cristina e Onix só mostram o número em três de seus 14 anúncios e Luciana, em nenhum dos 12. A normativa exige que esse número seja visível em qualquer tipo de publicidade de apartamentos turísticos. A multa pela infração pode alcançar os 3.000 euros (12.000 reais).

Mais informações

No entanto, ninguém foi multado por esse motivo, conforme admite a Prefeitura. “A prioridade era a detecção de apartamentos sem licença, mas a partir de agora o foco será a oferta legal pela Internet, de modo que haverá esforços e recursos para detectar os anúncios sem o número de inscrição”, afirmam fontes do Conselho Municipal.

Se a medida tivesse sido tomada antes, María Sánchez acredita que poderia ter sido poupada de um problema e 1.400 euros em trâmites. Sua inquilina anunciava cinco apartamentos turísticos no Airbnb e no Wimdu, entre eles, o seu. Soube disso no dia em que recebeu uma multa de 3.000 euros como resultado das inspeções municipais em Barceloneta. “O mais revoltante foi que, apesar de ter apresentado toda a documentação comprovando que era ela quem usava o imóvel como acomodação turística, continuavam me multando por ser a proprietária”, lamenta Sánchez, cuja multa chegou a 15.000 euros pela reincidência de Natalia, sua inquilina. Ela cobrava até 75 euros por noite por um imóvel que lhe custava 700 euros por mês.

O susto de José Pablo foi maior no dia em que chegou a sua casa uma multa de 90.000 euros. Fazia poucos meses que tinha uma nova inquilina: Natalia, a mesma mulher que causou problemas para Sánchez. “Levantava no meio da noite pensando: 90.000 euros! Sofri uma depressão e até pensei em vender o apartamento para pagar a multa”.

Depois de uma odisseia de visitas à Prefeitura, ambos conseguiram que seus apartamentos fossem lacrados e suspendessem as multas. Ainda não podem entrar em suas próprias casas, mas têm o compromisso do Conselho de que a partir de agora as multas serão dirigidas à inquilina problemática, que apenas seis horas depois de que lacrarem o apartamento de Sánchez, já tinha conseguido dois novos apartamentos para alugar a turistas.

Para o geógrafo Albert Arias, pesquisador do fenômeno Airbnb na Universitat Rovira i Virgili, mais que as inspeções, a chave está em não permitir a publicação de anúncios de imóveis sem licença: “Os apartamentos turísticos ilegais já existiam antes, mas canais com tanta potencialidade como o Airbnb agravam o problema”, conclui.

Debido a las excepcionales circunstancias, EL PAÍS está ofreciendo gratuitamente todos sus contenidos digitales. La información relativa al coronavirus seguirá en abierto mientras persista la gravedad de la crisis.

Decenas de periodistas trabajan sin descanso para llevarte la cobertura más rigurosa y cumplir con su misión de servicio público. Si quieres apoyar nuestro periodismo puedes hacerlo aquí por 1 euro el primer mes (a partir de junio 10 euros). Suscríbete a los hechos.

Suscríbete
O mais visto em ...Top 50