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Barba, cabelo e bigode novamente para Usain Bolt

Jamaica vence de novo no revezamento 4x100 os Estados Unidos, que foram outra vez desclassificados por uma passagem irregular de bastão

Bolt, durante a prova de 4x100, no Mundial de Pequim. Ampliar foto
Bolt, durante a prova de 4x100, no Mundial de Pequim. Getty

Houve quem publicasse que Usain Bolt ainda estava machucado pelo atropelamento por um Segway dirigido por um cinegrafista, única coisa na Terra capaz de derrubá-lo na pista, e que não participaria do revezamento. Dessa maneira poderia ser repetida a ladainha de todos os Mundiais, aquela em que alguém morto e enterrado ressuscita e arrasa. Obviamente estavam exagerando. Bolt não ficou machucado pelo Segway (ele nem teve medo de chegar perto de um cinegrafista motorizado, como para mostrar sua coragem), e o gigante não perderia por nada a festa do revezamento, com a qual completaria sua coleção de medalhas em todos os torneios.

Bolt também tinha contas a ajustar com os vizinhos do Norte: no mundial das Bahamas, em maio, a equipe dos EUA derrotou a da Jamaica. Teria ficado por isso mesmo, não fosse pelo fato de um dos norte-americanos, Ryan Bailey (substituído em Pequim por Bromell) ter feito, para ninguém menos que Bolt, o gesto de cortar o pescoço, a mensagem de que ele estava acabado.

Não foi o melhor 4x100 da história da Jamaica de Usain Bolt, mas como os Estados Unidos mostraram seu nível normal (de mal a pior), o super-herói de Pequim terminou a noite como de costume, fechando o estádio e se despedindo de um público entusiasmado com uma volta olímpica com a bandeira jamaicana. Com ele, seus companheiros de equipe, Asafa Powell, Nesta Carter e Nickel Ashmeade, também acostumados a encerrar os Mundiais com seu triunfo.

É a terceira conquista total de Bolt, seu terceiro conjunto de três ouros, nos 100m, nos 200m e no revezamento. Já tinha feito o mesmo em Berlim 2009 e Moscou 2011. Em Daegu 2013, faltou o ouro nos 100m (por queimar a largada), mas se redimiu batendo o recorde mundial (37,04s) num 4x100 eletrizante, contra o campeão do ano, Yohan Blake, na curva. No sábado quente e suado de Pequim, o tempo da Jamaica foi de 37,36s, exatamente igual ao de Moscou dois anos antes. O quarteto caribenho não mostrou sua habitual perfeição nas passagens do bastão (entre Powell, que fez a reta oposta, e o homem da segunda curva, Ashmeade, houve certa confusão), mas os EUA mantiveram sua fama, com uma passagem fora de hora entre Tyson Gay, que saía sem fôlego da curva, e Mike Rodgers, que não via a hora de largar, porque já enxergava a seu lado, duas raias para a esquerda, Bolt acelerando para receber o bastão de Ashmeade. Feito isso, Bolt recriou na última reta seus melhores momentos na pista do Ninho.

Desclassificados em Berlim, depois na final em Daegu, e novamente em Pequim (e só ficaram sabendo na volta de honra), os EUA no revezamento em Mundiais parecem comprovar a teoria tão difundida de que fora de suas universidades seus velocistas são tão individualistas e estrelas que não conseguem fazer juntos mais de duas sessões de treinamento para se ajustarem. A prata ficou com a incrível China de Bingtian Su, o asiático mais rápido da história, e o bronze, para o Canadá de Andre de Grasse.

Para os jamaicanos, o revezamento é a vida. A grande competição do atletismo no país, a que lota todos os anos o estádio nacional, aquela para a qual as escolas enviam suas melhores equipes, seu orgulho. Ganharam no masculino e no feminino, categoria na qual o grupo liderado pela feliz Shelly Ann Fraser Price foi muito superior aos EUA de Allyson Felix, que pelo menos não foram desclassificados. “Vi a confusão que armaram aos 300 metros e dei graças a Deus por não ter acontecido conosco, mas isso tem nome: pressão. Ganharam da gente nas Bahamas e estavam a todo vapor. Mas já tinha dito lá atrás: ‘vou voltar em Pequim’, e voltei”, disse Bolt. “Asafa está certo, somos uma boa equipe, que faz as coisas com calma até que chegue o grande momento. O revezamento é minha prova predileta.”

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