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Bolt: “No Rio, tentarei baixar a marca de 19 segundos nos 200 metros”

O jamaicano promete ser mais rápido que nunca nas Olimpíadas do Rio em 2016

Usain Bolt celebra la victoria en la final de los 200 metros en Pekín Ampliar foto
Usain Bolt conversa com o cinegrafista que o atropelou. REUTERS

Mais um dia –como sempre fez desde o começo do Mundial de Atletismo, no último sábado– Usain Bolt voltou ao estádio Ninho do Pássaro para brilhar. Desta vez a sessão noturna não contou com dupla execução do hino queniano, e sim com a bandeira das “barras e estrelas” em homenagem à norte-americana Allyson Felix, e a da Jamaica, terra que amamos, que era exibida para Bolt pela segunda vez. A cerimônia, com Justin Gatlin de novo à sua direita no pódio, assumiu o clima do dia seguinte à grande festa, com os protagonistas recordando e fazendo piadas sobre o que aconteceu na noite anterior. Ou seja: o atropelamento de Bolt por um cinegrafista chinês que perdeu controle de seu carrinho elétrico de duas rodas. Ao ser atingido, o corredor jamaicano festejava a vitória descalço, com os tênis na mão e a bandeira de seu país servindo de gravata.

“Com certeza Gatlin lhe pagou para acabar comigo, mas pode devolver o dinheiro, pois só tive um arranhão. De todo jeito, lamento pelo cinegrafista, espero que não tenha quebrado nada”, disse Bolt. Após a cerimônia do pódio, o cinegrafista da TV chinesa que o atropelou pediu desculpas e lhe deu de presente uma pulseira de amizade eterna, que Bolt colocou no pulso direito. O velocista estava mais bem-humorado que nunca, tanto pela descarga de adrenalina provocada por sua incrível vitória nos 200 metros rasos como pelo aumento do nível de seu colesterol e seus triglicérides após comer nuggets até não poder mais na Kentucky Fried Chicken. Foi o fruto proibido que ele se deu de presente no domingo, após ganhar os 100 metros. “Mandou um amigo ao takeaway [comida para viagem] e voltou com dezenas de coisas”, contam seus companheiros. “Então soubemos que o grande Bolt estava de volta, que os 200 metros seriam moleza”.

A prova dos 100m é sempre para o público, para o espetáculo, mas os 200m são algo mais íntimo, é para mim

Usain Bolt

“A prova dos 100 metros é sempre para o público, para o espetáculo, mas os 200 metros são algo mais íntimo, é para mim”, disse Bolt. Reconheceu que nessa distância os rivais não correm apenas contra ele, mas também contra sua aura, o que o torna quase invencível. Bolt elogiou o novo Gatlin, o Gatlin que fica simpático e divertido logo após a competição, dizendo que era o atleta que o havia obrigado a se superar para estar em forma e encarar o desafio. “Como sempre me diz o treinador Glenn Mill”, afirma Bolt, “quando Gatlin participa, nenhuma corrida pode ser um passeio”. E Gatlin, como se fosse seu amigo de infância, se emocionou ao lembrar que logo antes da largada dos 200 metros Bolt o chamou de “velho” carinhosamente e na frente de todos. “Usain realmente me incentiva a ser melhor. Com ele podemos fazer história”, afirma. “Já tenho 33 anos e consegui ser o primeiro que sobe ao pódio da mesma prova com dez anos de diferença.”

Os dois competidores, que estarão na próxima semana em Bruxelas (mas não na mesma prova: o norte-americano correrá os 100m e Bolt, os 200m), já combinaram a dupla revanche para o ano que vem, nos Jogos Olímpicos Rio 2016. “E lá, no Brasil, com 30 anos, se eu não tiver os mesmos problemas de lesões e puder me preparar durante o ano todo, tentarei baixar a marca de 19s nos 200 metros. Talvez seja a última oportunidade”, afirma.

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