Virada Sustentável, um parêntese de amor em São Paulo

Contra a cidade cinza, evento promove a sustentabilidade no coração do paulistano

Meditação no edifício Martinelli.
Meditação no edifício Martinelli.Reprodução/Facebook/Awaken Love

Quando Criolo afirmou que “não existe amor em SP”, lá em 2011, a Virada Sustentável ainda engatinhava, criada apenas um ano antes, em 2010. Se a canção do rapper paulistano tivesse nascido hoje, depois de cinco edições desse evento voltado à sustentabilidade não só do meio ambiente, mas sobretudo das relações na cidade, ele teria que fazer um aparte a tanto pessimismo. Afinal, a Virada Sustentável é um grande parêntese de amor em SP, com suas iniciativas de biodiversidade, consumo consciente, cidadania, economia verde e outras ideias de bem-estar privado e coletivo.

Já consolidado no calendário cultural da cidade, a Virada promove este ano mais de 700 eventos que ocorrem simultaneamente parques como Água Branca, Burle Marx, Cemucam, Ibirapuera, Juventude e Villa Lobos, além do Centro Cultural São Paulo, Museu da Casa Brasileira, Fábricas de Cultura, escolas e espaços públicos diversos. Quer convidar os paulistanos, hoje muito mais cientes que sua bandeira vai muito além da causa ecológica, a ocupar o espaço público, debater temas essenciais do presente – como a crise hídrica e a mobilidade urbana, para citar apenas dois exemplos –, olhar uns nos olhos dos outros e – por que não – relaxar.

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A abertura aconteceu na última quarta-feira, dia 26 de agosto, com um debate entre socióloga holandesa Saskia Sassen, considerada uma das mais pensadoras urbanas mais influentes do mundo e o secretário municipal de cultura de São Paulo, Nabil Bonduki, sobre práticas sustentáveis. Quem perdeu, não há de se preocupar. Até o dia 30, domingo, quando a programação de 2015 chega ao fim, haverá a chance de fazer muito mais. Por exemplo, de escutar a palestra do suíço Roman Gaus, do Urban Farmers, sobre ocupação do espaço público e o direito à cidade no sábado às 20h, no Centro Cultural São Paulo. Também de meditar no topo de um dos prédios mais famosos de São Paulo, o edifício Martinelli, que será ocupado a partir das 9h pelo grupo Awaken Love na companhia de 200 entusiastas da prática (ingressos gratuitos por ordem de chegada). Ou então participar da pedalada, no domingo de manhã, que tomará a Avenida Paulista e finalmente acompanhar o show de encerramento, tarefa da cantora Céu no Parque do Villa Lobos às 16h do domingo.

A cantora Céu, que encerra a Virada 2015.
A cantora Céu, que encerra a Virada 2015.Felipe Diniz

Para André Palhano, um dos criadores do evento, a Virada Sustentável deu um importante salto de conteúdo – e isso em tempos de crise. “Pudemos crescer este ano com parcerias importantes, como a que fizemos com a secretaria de Educação da cidade, levando a programação para os CEUs, e com consulados de países como França, Suíça e Argentina, que facilitaram a presença de convidados internacionais”, explica o jornalista. Ele conta que foram mais os recursos captados em 2015 – cerca de 2 milhões de reais brutos –, sempre mantendo a lógica da megaotimização de recursos, que está no mote de toda a iniciativa.

Palhano é feliz ao constatar que o paulistano se apoderou da Virada Sustentável, assim como fez há alguns anos com a Virada Cultural. A missão, que ele toma para si e procura imprimir no evento, é transmitir conhecimento, buena onda e a sensação de que não é porque vivemos em uma megalópole que a vida tem que ser baseada em uma produtividade desmedida e em certo humor cinzento. “Nossa vida é na cidade, não no meio rural. É aqui que temos que abraçar um estilo de vida sustentável em todos os sentidos”, alerta. O convite, ele reforça, está feito. Confira a programação total do evento aqui.

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