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Licença paternidade, a ‘arma’ do Vale do Silício para reter seus talentos

Netflix cria um novo padrão ao oferecer até um ano livre para os funcionários

Decisão reflete sobre outras empresas de tecnologia

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Dois funcionários na sede do Netflix.

O Vale do Silício é uma espécie de terra prometida para os jovens profissionais. Os salários pagos pelas empresas tecnológicas são muito generosos, seus restaurantes servem comida gourmet grátis, e os chefes concedem tempo livre aos funcionários para que eles deem rédea solta à sua criatividade jogando pingue-pongue ou tomando um café com os colegas. Isso faz com que o Google ocupe há seis anos consecutivos o topo da lista de companhias com os empregos mais cobiçados, elaborada pela Fortune.

Mas, no universo da tecnologia, há uma inquietação comum entre os programadores: o medo de ter filhos. Nos Estados Unidos, as empresas com mais de 50 funcionários são obrigadas a concederem apenas 12 semanas de afastamento por maternidade, e não necessariamente pagas. É, aliás, o único país desenvolvido que não garante esse sustento financeiro. Em meio a esse panorama, o Netflix acaba de dar um passo gigantesco. A empresa, que está transformando a indústria de distribuição audiovisual, oferece desde terça-feira licenças-maternidade e paternidade ilimitadas durante o primeiro ano, com 100% de remuneração.

A iniciativa da empresa de distribuição e conteúdo de vídeo se aplica também no caso de adoções. O assalariado tem ainda a opção de trabalhar em tempo parcial nesse período, se precisar dessa flexibilidade para cuidar da sua família.

“Continuaremos pagando-lhes com total normalidade, tanto faz quantas vezes precisarem deixar seu trabalho, pois assim lhes resolvemos essa dor de cabeça”, disse Tawni Cranz, chefe de recrutamento do Netflix. Mas, acima de tudo, a intenção é evitar que a empresa perca seus funcionários mais talentosos.

Nos EUA, as empresas com mais de 50 funcionários são obrigadas a concederem apenas 12 semanas de afastamento por maternidade, e não necessariamente pagas

O Google já entendeu isso faz tempo. A corporação mais poderosa da Internet acaba também de ampliar as licenças concedidas a quem tem filhos recém-nascidos. Serão 18 semanas remuneradas para as mães e até 12 semanas para os pais. Além disso, a empresa fornece uma ajuda de 500 dólares (1.767 reais) para cobrir as necessidades dos bebês.

Dinheiro para recém-nascidos

O Facebook, maior rede social em Internet, dá quatro meses de licença aos novos pais, assim como o Instagram, e cobre até 4.000 dólares em gastos dos filhos, além de conceder auxílio-creche e dar ao funcionário a opção de trabalhar de casa. “As pessoas rendem melhor quando não precisam se preocupar com o que acontece em casa”, observa Cranz.

A decisão do Netflix não é uma surpresa. A companhia não estabelece um limite anual para as férias de seus empregados, para que eles possam descansar ou ficar com seus filhos. A iniciativa foi aplaudida. A Microsoft, terceira maior firma com ações em Wall Street, seguiu o exemplo horas depois. Não chegou a oferecer um pacote tão generoso como o Netflix, mas sinalizou uma mudança de tendência.

Kathleen Hogan, diretora de recursos humanos da Microsoft, diz que estas mudanças são necessárias “pela rapidez com a qual o local de trabalho evolui”. Como indicam os headhunters, as novas gerações têm uma percepção diferente sobre o trabalho e encaram de outra maneira as questões trabalhistas desse tipo. “Trata-se de criar o melhor ambiente, em que os empregados deem o melhor de si”, afirma Hogan.

O habitual nos EUA é que as empresas concedam 30 dias de licença remunerada. O presidente Barack Obama, no seu último discurso do Estado da União, fez menção à necessidade de conciliar melhor a vida familiar e a profissional. Mas, apesar de uma mudança começar a surgir, o avanço ainda é limitado e se concentra em setores que precisam captar talentos, como o tecnológico e o financeiro.

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