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160 habitantes, 20 pares de gêmeos: o segredo de Riocabado

Primeira parada de Espanha Mutante, uma série de reportagens de Verne em colaboração com EL PAÍS Vídeo

A chance de ter gêmeos na Espanha, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatísticas, encontra-se em torno de 2%. Exato, apenas dois de cada cem. A menos, claro, que você more em Riocabado: com apenas 160 habitantes, esta pequena cidade agrícola de Ávila (região central) conta com vinte pares de gêmeos. O equivalente a 25% da população.

Nem todos os pares de Riocabado moram atualmente na cidade: são muitos os jovens do município que, para estudar ou trabalhar, acabam indo embora. É o caso de Cristina e Sandra, que vivem em Ávila, e também o de Carmen, uma avis rara – é da cidade, mas não tem irmão gêmeo – que também vive na capital da província. Ela é presidente da Associação Sete Bairros, um grupo local que organiza, de vez em quando, “reuniões dos gêmeos” para que mesmo os que vivem fora possam se reunir com os que ainda resistem na cidade. “A próxima será em 2016”, anuncia a Verne. Aqui já estamos preparando a câmera.

Como afirma o Dr. Jose Antonio Vidart, chefe do serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital San Carlos de Madri, a genética é um dos fatores que mais influenciam na possibilidade de ter gêmeos. “Se você tem gêmeos, vai ter gêmeos”, afirma um ditado popular, e não sem razão: famílias com gêmeos são mais propensas a repetir e, no caso concreto de Riocabado, quatro dos pares de gêmeos com os quais Verne se reuniu durante essa reportagem tinham laços de sangue em diferentes graus.

Outras razões que aumentam a probabilidade de conceber gêmeos e que também podem ter ocorrido em Riocabado são a idade das mães (quanto mais velha, mais provável) ou se já tiveram gêmeos antes. Como observa o Dr. Vidart, outra razão poderia ser o clima (nas regiões mais frias o número de gêmeos é maior), embora os próprios habitantes da área rejeitem isso. O que dizem na cidade? Que a culpa é da água. Nós também tentamos desmentir essa teoria e, entre ensaios e tomadas, mais de um litro da mítica fonte foi ingerida por nosso redator. Daqui a alguns anos (tudo aponta que serão muitos) teremos a resposta.

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