Caça do leão Cecil

Autoridades do EUA procuram Palmer pela morte do leão Cecil

Serviço de Pesca e Vida Selvagem abriu uma investigação sobre a caça

Protesto contra Palmer diante de seu consultório nos EUA.
Protesto contra Palmer diante de seu consultório nos EUA.Glen Stubbe (AP)

As engrenagens da justiça americana começaram a se mover no caso da morte do popular leão Cecil do Zimbabwe pelas mãos de um dentista de Minnesota, Walter Palmer. “Estamos investigando a morte do leão Cecil. Pedimos que o Dr. Palmer ou seu representante entre em contato conosco imediatamente", informou na quinta-feira o Serviço federal de Pesca e Vida Selvagem, responsável por analisar se o caçador, que já foi processado nos Estados Unidos pela caça ilegal de um urso negro em 2008, voltou a violar as leis do país em um suposto caso de caça furtiva no exterior. “Vamos até onde os fatos nos levarem. Também nos preocupamos com o leão Cecil e estamos trabalhando para reunir os dados”, acrescentou a agência federal norte-americana.

MAIS INFORMAÇÕES

O diretor do Serviço de Pesca e Vida Selvagem, Dan Ashe, disse no Twitter que, apesar de que a agência tinha tentado localizar o dentista, até agora todos os esforços foram “infrutíferos”.

Desde que sua identidade foi revelada no início desta semana, Palmer está escondido e a clínica que dirige está fechada. No entanto, no comunicado divulgado na terça-feira, garantindo que caçou o leão acreditando que tudo era “legal”, havia afirmado sua disposição de ajudar as autoridades, tanto no Zimbabwe quanto nos EUA, “em qualquer investigação que seja aberta”.

O jornal local Star Tribune, que garante que conseguiu localizar Palmer por telefone na quarta-feira, disse que um dia depois o dentista tinha parado de atender o telefone. Por enquanto, ninguém sabe o lugar onde o caçador amador está escondido já que, desde que sua identidade foi revelada, é vítima de um inusitado ciberassédio. Embora tenha tirado do ar rapidamente os sites da sua clínica, internautas indignados revelaram o endereço do consultório nas redes sociais e aproveitaram sites como a página de recomendações Yelp para deixar mensagens raivosas e até ameaças contra o médico.

Uma petição online para a Casa Branca para que “o secretário de Estado John Kerry e a procuradora-geral Loretta Lynch, cooperem completamente com as autoridades do Zimbábue e extraditem imediatamente Walter Palmer se solicitado pelo Governo daquele país”, superava nesta quinta-feira, dois dias após sua criação, as 140 mil assinaturas. Só era preciso recolher 100.000 dentro de um mês para que, de acordo com as regras da Casa Branca, seja emitida uma resposta ao pedido.

Embora também organizações como PETA exigiram que Palmer seja extraditado para o Zimbábue para ser julgado como os dois homens que ajudaram na caça, a polícia local negou na quinta-feira que tenha pedido à Interpol ajuda para encontrar o dentista norte-americano, informa a AFP. Palmer ainda não foi formalmente acusado até agora em nenhum dos dois países.

A ONU também se mobiliza

Os rugidos de raiva pela morte do leão Cecil também chegaram à Organização das Nações Unidas. A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quinta-feira uma resolução que visa combater de forma mais eficaz o tráfico ilegal de espécies protegidas, incluindo a caça furtiva.

Esta prática “não só ameaça espécies e ecossistemas, também afeta o modo de vida das comunidades locais e compromete os esforços para erradicar a pobreza e alcançar um desenvolvimento sustentável”, disse Denis Antoine, que representou durante a sessão o presidente interino da Assembleia Geral, Sam Kutesa.

A resolução “Luta contra o tráfico ilícito de fauna e flora silvestres” pede que os governos “reforcem a legislação necessária para prevenir, investigar e perseguir esse comércio ilícito” e para tipificar como “crime grave” o tráfico ilícito de espécies protegidas.

O texto manifesta expressamente uma “séria preocupação pelo aumento constante da caça furtiva de rinocerontes e os níveis alarmantes da matança de elefantes na África, que colocam essas espécies em perigo de extinção em nível local e, em alguns casos, de extinção em nível mundial”. Antes da votação, o ministro de Relações Exteriores do Gabão, Emmanuel Issoze-Ngonget, tinha afirmado que a caça ilegal constitui uma “ameaça econômica e social”. O comércio ilegal de flora e fauna selvagem alcança os 19 bilhões de dólares por ano e é o quarto comércio ilegal do mundo, acrescentou.