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Prefeitos do Brasil pedem ao Papa Francisco fundos para lutar pelo clima

Uma comitiva brasileira está presente no evento convocado por Jorge Bergoglio em Roma

Haddad, prefeito de São Paulo, recebe medalha do seu homólogo de Roma, durante o evento no Vaticano.
Haddad, prefeito de São Paulo, recebe medalha do seu homólogo de Roma, durante o evento no Vaticano. EFE

Da teoria à prática. Um mês apenas depois de publicar sua encíclica sobre ecologia, em que vinculou as mudanças climáticas ao aumento da desigualdade, o papa Francisco reuniu no Vaticano 65 prefeitos de grandes cidades para debater as mudanças climáticas e as novas formas de escravidão. No foro, organização pela Pontifícia Academia de Ciências Sociais, cada um dos prefeitos está expondo suas teses, e para as 17h está prevista a intervenção do próprio Papa.

Está presente uma delegação brasileira, organizada pela Frente Nacional dos Prefeitos e capitaneada por seu presidente, Marcio Lacerda, prefeito de Belo Horizonte, que entregará ao Papa uma carta pedindo dinheiro dos países desenvolvidos para empreender localmente ações de combate à mudança climática. O documento relata os principais desafios enfrentados pelos governos locais e propõe seu reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) como atores fundamentais na promoção da sustentabilidade e do desenvolvimento humano. Também participa do evento – que será transmitido pela internet a partir das 12h do Brasil – o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Em sua fala de 10 minutos, a prefeita de Madri, Manuela Carmena, pediu um debate sobre as causas do consumo de prostituição entre os jovens. Ela afirmou que é uma discussão que corre solta nos colégios, mas que a sociedade esconde: “Entre os rapazes se discute por que se procuram as prostitutas, por que as pessoas aceitam a prostituição etc”. A prefeita disse também que não se pode separar o respeito dos direitos humanos do combate à corrupção: “A corrupção política postula duas sociedades diferentes: a aparente, ou formal, e a real”.

A prefeita de Madri, Manuela Carmena, no Vaticano.
A prefeita de Madri, Manuela Carmena, no Vaticano. EFE

“Se queremos evitar o terrível crime da escravidão sexual”, acrescentou Carmena, “precisamos refletir com sinceridade sobre suas causas.” O tema do foro – as mudanças climáticas e as novas formas de escravidão – foi sugerido expressamente pelo papa Francisco ao secretário da Pontifícia Academia de Ciências Sociais, o monsenhor Marcelo Sánchez Sorondo. Segundo o Vaticano – em concordância com o que foi dito pelo Papa em sua encíclica recente sobre ecologia --, os dois fenômenos estão estreitamente ligados, na medida em que “o aquecimento global é uma das causas da pobreza e das migrações forçadas”, circunstâncias que favorecem “o tráfico de pessoas, o trabalho forçado, a prostituição e o tráfico de órgãos”. Participam do encontro, os prefeitos de Nova York, Paris, México, Bogotá, São Paulo e Belo Horizonte, entre outros. Os prefeitos vão firmar uma declaração conjunta com as conclusões do foro.

As discussões foram abertas com o depoimento de duas jovens mexicanas, Karla Jacinto e Ana Laura Pérez, que relataram suas experiências pessoais de escravidão. Jacinto explicou que, depois de uma infância terrível com sua própria família – “meus irmãos me estupravam e minha mãe me odiava” –, ela se apaixonou por um rapaz que a obrigou a prostituir-se durante anos: “Inclusive depois de me engravidar, tive que me prostituir até os oito meses de gravidez”. Ana Laura Pérez relatou com detalhes como foi escravizada numa alfaiataria. Contou que, depois de conseguir escapar e denunciar sua situação, foi espancada, humilhada, privada de comida e até acorrentada para não se afastar de seu posto de trabalho.

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