"EL CHAPO" GUZMÁN

Seis grandes fugas recentes em prisões da América Latina

Casos se acumulam desde 1999 e fuga de Escobar e de Escadinha entraram para a história

O promotor geral de México observa o túnel pelo que escapou O Chapo.
O promotor geral de México observa o túnel pelo que escapou O Chapo. (AFP)

Nos últimos sete anos houve seis grandes fugas de traficantes de drogas das prisões em países latino-americanos, como México, Colômbia e Paraguai. A última, a do "El Chapo" Guzmán, foi a mais espetacular, parecida com a realizada em 1992 pelo traficante colombiano Pablo Escobar, que conseguiu escapar da prisão de La Catedral (Colômbia) depois de cavar um túnel secreto com 14 cúmplices e matar dois reféns.

Maio de 2014. México: Ensaio geral de túnel subterrâneo

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Três membros do cartel de Sinaloa, agora liderado pelo Chapo Guzmán – que acabou de escapar –, conseguiram fugir de uma prisão em Culiacán (México) através por um túnel de 470 metros de comprimento escavado a partir do exterior até as celas onde estavam.

Janeiro de 2014. Colômbia: A fuga dos Urabeños

Seis membros do bando de traficantes Los Urabeños conseguiram escapar em janeiro de 2014 da prisão colombiana de El Pedregal, em Medellín. Usaram documentos falsos que concediam liberdade imediata para eles. Os presos saíram pela porta principal da prisão. O episódio foi tão insólito que o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ordenou a demissão do diretor da prisão.

Novembro de 2013. Paraguai: Fuga em duplas

Dois traficantes e outros quatro presos fugiram da prisão de Concepción aproveitando a hora de visitas na qual se encontravam acompanhados de prostitutas. Os seis deixaram suas celas armados e conseguiram fugir com um refém que, em seguida, foi assassinado. A fuga começou durante a tarde e, depois de atirarem em um guarda, fugiram com uma caminhoneta que esperava por eles do lado de fora.

Dezembro de 2010. México: Fuga em massa pela porta dos fundos

Cerca de 50 prisioneiros da prisão em Tamaulipas escaparam usando a porta por onde entravam os veículos na prisão. O episódio ocorreu de madrugada e, depois de ficar sabendo a notícia, o próprio diretor da prisão também fugiu. Tamaulipas é um dos estados mais violentos do México e o tráfico é disputado por dois cartéis rivais, Los Zetas e o Cartel do Golfo.

Setembro de 2010. México: Uma escada no muro da prisão

Oitenta e cinco presos, a maioria membros de organizações de narcos, escaparam da prisão de Reynosa, perto da fronteira com os EUA, escalando o muro da prisão. Usaram uma escada. Dois dos guardas da prisão fugiram juntos com os presos. Em 2010, outros 41 prisioneiros por delitos de drogas escaparam de outra prisão mexicana, em Matamoros, indo para os EUA.

Julho de 2009. México: 17 adolescentes em Tijuana

Os jovens saíram da cadeia raspando uma parede e conseguindo fazer um buraco com uma barra de metal durante a noite. Os rapazes eram acusados de trabalhar como assassinos de aluguel para os cartéis de drogas. Depois da fuga, a polícia mexicana iniciou uma busca para recapturar os fugitivos, mas só dois foram detidos.

As fugas espetaculares de Pablo Escobar e do brasileiro Escadinha

Manuel Escobar (Rionegro, 1949 – Medellín, 1993), líder do cartel de Medellín, chegou a ser o homem mais poderoso da máfia colombiana e protagonizou uma das fugas mais famosas da história.

Em julho de 1991, Escobar voltou voluntariamente para a prisão em troca de não ser extraditado para os Estados Unidos. Como condição para sua detenção, exigiu das autoridades colombianas que sua prisão fosse exclusiva, argumentando que corria risco de morte em uma prisão comum. Ficou preso durante mais de um ano na prisão “cinco estrelas” de La Catedral, na Colômbia. Tinha jacuzzi, ginásio com equipamentos de última geração, ar condicionado.

Em julho de 1992, junto com seu irmão Roberto e seus homens, Escobar começou um motim. Tomou como reféns quatro funcionários judiciais e se entrincheirou com 14 cúmplices em um túnel secreto. Finalmente conseguiu escapar com nove comparsas. Escobar enfrentou a polícia colombiana durante mais de um ano, até que dezembro de 1993 foi morto a tiros em uma operação da polícia e do exército. Graças ao comércio de cocaína, Manuel Escobar acumulou uma fortuna estimada entre 9 e 15 bilhões de dólares (28 e 47 bilhões de reais).

Anos antes, uma fuga no Brasil também havia causado espanto pela audácia. Na último dia de 1985, o então maior traficante de cocaína do Rio de Janeiro, José dos Reis Encina, o Escadinha, foi resgatado por um helicóptero que pousou em pleno pátio interno da antiga penitenciária da Ilha Grande (a 154 km do Rio). Um aliado de Escadinha havia alugado um helicóptero e obrigado o piloto a pousas. Anos depois, outro traficante tentaria, sem sucesso, repetir a fuga cinematográfica.

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