Crise na Grécia

FMI avaliza a tese grega de que a dívida é impagável

O organismo admite que as finanças do país são instáveis

Christine Lagarde, no último domingo.
Christine Lagarde, no último domingo. (EFE)

As finanças da Grécia são praticamente inviáveis. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reconheceu que, mesmo cumprindo o programa que estava em vigor até terça-feira passada, os "riscos para a sustentabilidade da dívida eram muito significativos, especialmente vulneráveis a uma queda no crescimento ou a uma deterioração do superávit primário [o saldo antes do pagamento de juros] e com uma alta probabilidade de que não pudesse ser considerada sustentável", admite o FMI. Essas exigências incluíam um superávit primário superior a 4% do PIB, a implementação de reformas estruturais e do setor financeiro e os planos de privatizações, de acordo com dados mencionados pelo próprio Fundo.

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O FMI divulgou na quarta-feira seu relatório preliminar sobre a sustentabilidade da dívida da Grécia, que é bastante difícil devido à situação das finanças gregas e à política seguida pelo Governo de Alexis Tsipras, que chegou ao poder em janeiro. Na avaliação do FMI, as mudanças introduzidas nas políticas e as perspectivas desde o início do ano provocaram um aumento substancial das necessidades de financiamento do país. Segundo os cálculos do Fundo, até o final de 2018, as necessidades de financiamento da Grécia totalizam 51,9 bilhões de euros (180 bilhões de reais), “o que exigirá uma nova injeção europeia de, pelo menos, 36 bilhões de euros (124 bilhões de reais) durante esse período”.

Além disso, o organismo comandando por Christine Lagarde reconhece que, mesmo com essa ajuda, e num cenário muito menos benigno para a economia e finanças da Grécia do que o previsto pelo Fundo, “seria necessária a liquidação da dívida, uma reestruturação das atuais condições de financiamento e fixar os juros da dívida nos níveis atuais".

A recomendação do FMI acontece menos de dois dias depois de a Grécia declarar o default de seu pagamento de junho para o Fundo, de cerca de 1,6 bilhão de euros. Nessas condições, as normas do organismo impedem o país de participar de um novo programa de assistência financeira, enquanto a Grécia continuar em situação de inadimplência. Como seus estatutos tampouco permitem autorizar um perdão da dívida, a recomendação seria aplicável apenas aos financiamentos que a Grécia mantém com as autoridades europeias.

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