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Serviço Internacional de Avaliação da Língua Espanhola

Espanhol terá seu Toefl, e o Brasil vai superar os EUA em locais de exame

Teste permitirá determinar grau de conhecimento da língua espanhola em todo o mundo

Jan Martínez Ahrens
Os Reis de Espanha, durante a assinatura do acordo.
Os Reis de Espanha, durante a assinatura do acordo.Marco Ugarte (AP)

O espanhol tem uma lacuna. Há 550 milhões de falantes do idioma, mas nenhum exame internacional que certifique o seu domínio. Essa carência tem desde terça-feira os dias contados. Sob os muros com brasões do Antigo Colégio de San Ildefonso, na Cidade do México, os Reis da Espanha presidiram a apresentação do Serviço Internacional de Avaliação da Língua Espanhola (Siele), o exame que permitirá determinar em praticamente qualquer ponto do planeta o grau de conhecimento do castelhano. O teste, semelhante ao que o inglês já possui, com os exames da Universidade de Cambridge, nasce sob o conceito pan-hispânico, aglutinador das distintas vozes do espanhol e com a ambição de se transformar em um padrão reconhecido mundialmente.

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A iniciativa foi desenvolvida em conjunto pelo Instituto Cervantes (90 centros em 44 países), a Universidade Nacional Autônoma do México (a maior de língua espanhola) e a Universidade de Salamanca (a mais antiga). O teste começará no início do próximo ano acadêmico, e com um nível de exigência muito alto. As previsões são de um mínimo de 300.000 candidatos por ano, que aumentará para 750.000 em cinco anos. Tanto a inscrição como o exame serão realizados por meios eletrônicos e com conexão online.

“Faltava no universo do ensino do espanhol como segunda língua ou língua estrangeira um certificado ágil e de grande prestígio, que se situasse na mesma linha dos que a língua inglesa oferece. As equipes acadêmicas das três instituições trabalharam, lado a lado, em um novo tipo de exame de caráter pan-hispânico no caminho aberto pelas 22 Academias da Língua Espanhola. Elas souberam inserir em sua Nova Gramática a unidade que integra as diferentes variações em que o espanhol se realiza”, afirmou Felipe VI.

O certificado poderá ser obtido em qualquer um dos cinco continentes, mas o maior esforço se concentrará até 2018 nos três gigantes: Brasil, que terá 120 centros de exame; Estados Unidos, com 100; e China, com 60. Mais de 15 milhões de pessoas estudam espanhol neste momento nesses três países.

Certificado poderá ser obtido em qualquer um dos cinco continentes, mas o maior esforço se concentrará em três gigantes: Brasil, Estados Unidos e China

O Siele terá quatro provas: Compreensão de Leitura e Compreensão Auditiva, cuja qualificação será imediata, e Expressão e Interação Escrita e Oral, que serão avaliadas por especialistas credenciados mediante uma classificação. Os candidatos poderão decidir se fazem a prova de uma só vez ou por partes. Os resultados serão divulgados em três semanas e, no caso de reclamações, um segundo examinador fará a revisão dos textos e dos áudios. Quem passar no exame receberá um certificado com validade de dois anos.

O exame é a ponta de lança de um projeto de maior envergadura. Com as provas será criado material didático e, sobretudo, haverá um incremento no ensino do espanhol em toda a sua diversidade. “O Siele não é só uma prova de avaliação, mas um sistema de promoção do espanhol, mas do espanhol de todos, e em pé de igualdade. Pretendemos que do projeto participem as 900 universidades ibero-americanas e todos os ministérios da educação da área”, afirmou o diretor do Instituto Cervantes, Víctor García de la Concha.

“Se queremos que nossa língua se afirme como segunda língua de comunicação internacional, teremos de superar a visão de curto alcance, centrada em cada um, e pôr em comum os recursos de todos para conseguir um objetivo que resultará em benefício comum”, disse Felipe VI.

Na assinatura do protocolo de ação estiveram presentes com García de la Concha o reitor da UNAM, José Narro, e o da Universidade de Salamanca, Daniel Hernández Ruipérez. O ato foi presidido pelos Reis como parte de sua visita de Estado ao México. A viagem, concluída nesta quarta-feira com um passeio cultural por Zacatecas, teve como bandeira a defesa do idioma como bem comum e motor do crescimento ibero-americano.

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