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ONU vê indícios de possíveis crimes de guerra de Israel e do Hamas em Gaza

O Governo israelense chama a acusação de parcial. Hamas nega os ataques a civis

Ataque de Israel em Gaza em julho do ano passado. Ampliar foto
Ataque de Israel em Gaza em julho do ano passado. AP

Um relatório das Nações Unidas elaborado por uma comissão independente apresentado nesta segunda-feira acusou Israel e os grupos armados palestinos encabeçados pelo Hamas de cometerem ações durante a Operação Limite Protetor, de 2014, que, em alguns casos, têm indícios de crimes de guerra. O Conselho de Direitos Humanos da ONU encarregou a um grupo de investigadores dirigido pela juíza norte-americana Mary McGowan Davis uma análise sobre o conflito que durou 51 dias e deixou mortos 2.251 palestinos (1.462 deles civis, um terço crianças, segundo a ONU) e 67 soldados e 6 civis israelenses .

“A amplitude da destruição e do sofrimento causado não tem precedentes, e terá um impacto nas futuras gerações”, destaca McGowan no relatório. “A impunidade prevaleceu”, segundo a magistrada, e nem Israel nem os responsáveis palestinos apresentaram diante da justiça qualquer suspeito.

A comissão considera que ocorreu “um forte incremento” da potência de fogo empregada durante o conflito ocorrido entre julho e agosto de 2014, com mais de 6.000 operações aéreas e cerca de 50.000 projéteis disparados pelas forças israelenses, bem como 4.881 foguetes e 1.753 granadas de morteiro disparadas pelas milícias palestinas.

Os investigadores também chamam atenção sobre o “amplo uso de armas letais” em zonas densamente povoadas pelo Exército israelense e sobre o lançamento “indiscriminado” de foguetes palestinos contra zonas habitadas de Israel. Ao mesmo tempo, exigem que Israel deixe claro  quais foram os critérios que utilizou para eleger os alvos de seus ataques e condenam como crime de guerra a execução de supostos “colaboradores” palestinos.

“Israel não comete crimes de guerra, se defende por conta própria diante de organizações terroristas que pretendem destruir o país”, replicou inicialmente o primeiro-ministro israelense, Benjamín Netanyahu. Seu Governo, que não colaborou com a comissão investigadora, acusou o relatório de parcialidade. “É lamentável que não se reconheçam as profundas diferenças entre o comportamento moral de Israel (…) e as organizações terroristas às quais enfrentou”, afirmou por meio de um comunicado o Ministério de Exteriores israelense.

Os investigadores da ONU entrevistaram por telefone ou mediante vídeoconferência testemunhas e familiares de vítimas em Gaza. O movimento de resistência islâmica Hamas, o grupo palestino hegemônico na Faixa, comemorou as acusações feitas pela ONU contra Israel, mas negou que o lançamento de foguetes por parte do grupo fosse dirigido contra alvos civis. O dirigente da Organização para a Libertação de Palestina (OLP), Saeb Erekat, assegurou que os responsáveis palestinos estudarão o conteúdo e as recomendações da comissão investigadora.

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