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As perguntas que você nunca ousou fazer em voz alta (e suas respostas)

Por que os pássaros não caem da árvore quando dormem? E o céu, por que é azul?

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Quando crianças não temos qualquer problema em fazer todos os tipos de perguntas. O problema é que muitas ficam sem resposta e muitas outras nos ocorrem já adultos, quando temos certa vergonha de fazê-las em voz alta. Na minha idade, não deveria saber por que o céu é azul? Não é normal que um ovo tenha forma oval, por ser um ovo? Por causa dessa vergonha estamos perdendo as respostas -que não são, de forma alguma, tão óbvias como podem parecer- e o desejo de fazer mais perguntas. Aqui estão algumas delas, com links que fornecem mais informações.

Mais informações

1. Por que às vezes vemos a Lua de dia?

A Lua só se encontra em posição completamente oposta ao Sol durante a lua cheia: no auge desta fase, é impossível ver a estrela e o satélite ao mesmo tempo no céu.

Durante o resto do mês, em teoria, se pode ver a Lua durante o dia, porque é brilhante o suficiente para ser vista no céu azul. Na verdade, com um telescópio apontando para o lugar certo, também se pode ver Mercúrio, Vênus e Júpiter, assim como as estrelas mais brilhantes, segundo o Space.

Ao entrar na fase minguante, a Lua vai aparecendo no horizonte cada vez mais tarde e por isso vemos a Lua de madrugada e pela manhã, conforme detalha a RTVE. Quando chega a lua nova, o satélite está alinhado com o Sol e não podemos vê-la a partir da Terra por ficar ofuscada por seu brilho. Na fase crescente, vemos ao Lua ao entardecer.

2. Por que o céu é azul?

A cor do céu se deve à dispersão de Rayleigh, como se pode ler em Why Don’t Penguins’ Feet Freeze? (Por que as patas dos pinguins não congelam?), de Mick O'Hare. A luz que vem do Sol entra na atmosfera e se dispersa em todas as direções. A luz azul tem comprimento de onda mais curto, por isso se dispersa mais que as luzes vermelhas e amarelas, dando a impressão de que ocupa o céu todo.

Este processo também explica por que vemos o céu vermelho ao entardecer e ao amanhecer. Como o Sol está abaixo do horizonte, a luz tem que passar por uma parcela maior da atmosfera para chegar até nós, de modo que a luz azul se perde antes e só a vermelha chega até a gente.

3. Por que o céu é escuro à noite?

Embora pareça uma pergunta bastante óbvia, não é tanto assim se apresentamos o paradoxo de Olbers, formulado pelo físico alemão Heinrich Wilhelm Olbers em 1823: em um universo estático e infinito, o céu noturno deveria ser totalmente brilhante, sem regiões escuras ou privadas de luz, já que haveria uma estrela em cada direção que olhamos.

A Scientific American explica a solução para este paradoxo: mesmo assumindo que o universo tem um tamanho infinito, sabemos que não tem uma idade infinita, de forma que ainda não chegou até nós a luz das galáxias mais distantes. "Nunca podemos ver a luz de estrelas e galáxias de todas as distâncias simultaneamente: ou a luz dos objetos mais distantes não chegou até nós ou, se tiver chegado, levou tanto tempo que os objetos mais próximos se esgotaram e se apagaram".

4. Por que as nuvens ficam escuras antes de começar a chover?

As nuvens deixam de ser brancas e fofas e passam a ser cinzas quase pretas porque absorvem mais luz. Em Why Don’t Penguins’ Feet Freeze? (Por que as patas dos pinguins não congelam?) se explica que quando as nuvens aparecem brancas é porque a luz branca se dispersa graças às pequenas partículas de gelo e de água que as compõem. Antes de chover, essas partículas são maiores, de forma que absorvem mais luz e refletem menos, aparecendo de cor mais escura.

5. Cada geração é mais alta, mas há um limite? Será que vamos acabar sendo monstros de seis metros de altura? Por favor, que a resposta a esta pergunta seja: "Sim".

Temos crescido cerca de 10 centímetros nos últimos 100 anos, mais ou menos e segundo Martin Gent em 70 perguntas sobre o mundo que nos rodeia e suas respostas surpreendentes, graças principalmente a "uma alimentação mais saudável e a melhores cuidados médicos".

Mas este crescimento está próximo do fim, segundo afirma este livro: "Os genes fixam para cada pessoa um limite máximo de aumento de estatura. Em condições de vida ótimas esta margem genética pode ser utilizada por inteiro, mas não superada". O corpo humano tem seus limites, como explicam na BBC Future: uma altura excessiva pode causar problemas cardiovasculares e nas articulações.

6. Podemos suar dentro da água?

Quando fazemos exercício físico, a temperatura do corpo começa a subir e as glândulas sudoríparas são ativadas, como se explica na Super Interessante. Então, se a água estiver fria nós suamos menos.

7. Por que não se pode fazer cosquinha em si mesmo?

Quando movemos nossas extremidades, “o cerebelo produz previsões precisas dos movimentos do nosso corpo", por isso somos incapazes de nos surpreender e nos fazer cosquinha: sabemos onde e como vamos nos tocar, como explica a BBC.

8. Para onde vão todas as moscas no inverno?

As moscas são uma das muitas coisas irritantes que vêm com o verão, incluindo o calor, a praia, as bermudas e o horário de verão. Segundo a BBC, as moscas não se dão bem com o frio, mas (obviamente) não chegam a morrer na totalidade a ponto de se tornarem extintas. Esses insetos passam o inverno em fissuras e buracos em um estado semelhante à hibernação, e despertam na primavera para desovar. As larvas vivem muitas vezes em matéria em estado de decomposição, que está em temperatura mais quente do que o ambiente, o que lhes permite suportar o inverno.

9. Por que os pássaros não caem dos galhos quando dormem?

Mais uma vez recorremos ao Why Don’t Penguins’ Feet Freeze?, onde se explica que os pássaros têm um engenhoso sistema de tendões em suas pernas:" O tendão flexor se estende desde o músculo da coxa até o joelho, segue pela perna, passa pelo tornozelo e chega até debaixo dos dedos". Isto implica que, em repouso em um galho, o mesmo peso da ave faz com que "dobre seu joelho e o tendão fique firme, fechando as garras".

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10. Por que os ovos têm forma oval?

A forma se deriva do processo de colocação, que deforma a casca antes de calcificar, conforme explicado em Why Don’t Penguins’ Feet Freeze? Além disso, os ovos são muito mais práticos do que pode parecer.

Essas são algumas das vantagens: se tivessem cantos ou bordas, a estrutura poderia ser mais frágil; uma esfera seria ainda mais resistente, mas a vantagem de um ovo é que se rodar terá que ser em círculo, acabando de ponta, por isso é difícil cair do ninho ou ir muito longe; a forma também é mais cômoda do que um cilindro ou uma esfera na hora da incubação; quando há vários ovos eles podem ser armazenados de forma eficiente no ninho, deixando pouco ar entre eles e conservando o calor.

11. Por que as balas de menta fazem a respiração parecer gelada?

Trata-se de uma ilusão térmica: o mentol engana o nosso cérebro, como explicado em Mental Floss. Nossos receptores TRPM8 respondem aos estímulos do frio, como ao comermos um sorvete ou beber um refrigerante. Na presença de substâncias como o mentol e eucaliptol, esses receptores também são estimulados, não só dando essa impressão, mas também potencializando a sensibilidade ao frio. Como afirmam em Hipertextual, o mentol provoca também certa sensação anestésica, o que, juntamente com a sensação de frescor, nos ajuda a respirar.

12. Por que o tênis tem uma pontuação tão diferente?

Não, fala sério, por que 15-0 em vez de 1-0? De onde vem este "15, 30, 40, game"? Em inglês nem sequer se diz "zero", mas "love". Além disso, é preciso acrescentar o “iguais” e a “vantagem”. A confusão tem sua origem na França do século XV, quando possivelmente se usava relógios como marcadores, sendo cada ponto a cada quarto de hora.

A mudança de 45 para 40 teria ocorrido para depois se somar pontos de dez em dez em caso de empate (iguais) e poder se contar assim a vantagem (50) e o game (60), a fim de se ganhar o jogo com diferença de ao menos dois pontos. Na verdade, se da vantagem se voltasse de novo para iguais, o relógio voltava a 40.

Essa não é a única explicação proposta: esta pontuação também está associada com o jeu de palme (parecido, mas sem raquete e com a mão). Era jogado em um campo que media 90 pés no total, com 45 de cada lado. Cada vez que quem sacava marcava o ponto, podia adiantar 15 pés para o próximo saque. Na terceira vez adiantava apenas 10 pés, chegando aos 40.

O fato de os britânicos dizerem "love" em vez de "zero" é possivelmente uma pronúncia errada de "l'oeuf", o ovo em francês, como se vê neste vídeo (em inglês), que também responde a esta questão. Sim, os franceses costumavam dizer "ovo" porque parecia com um zero.

13. Por que os biscoitos ficam moles e o pão fica duro?

Os biscoitos contêm mais açúcar e sal do que os pães, segundo Why Don’t Penguins’ Feet Freeze?, por isso o biscoito absorve mais umidade do ambiente, a umidade que sua textura densa ajuda a manter. Um pedaço de pão tem menos açúcar e sal, além de uma estrutura mais aberta, de modo que não só não absorve, como também perde umidade. Na verdade, colocar o pão na geladeira não interrompe este processo.

14. Por que a cola não fica colada no interior do tubo?

A cola precisa de umidade para agir. No tubo não há umidade, mas há ar, que atua como um inibidor: por isso a cola prende muito bem duas superfícies que se ajustam perfeitamente, sem deixar ar entre elas.

E isso também explica por que a cola gruda nos nossos dedos assim que sai do tubo, como se pode ler, novamente, em Why Don’t Penguins’ Feet Freeze?: "Como é quente e úmida, a pele é um substrato ideal".

15. Por que fevereiro tem 28 dias?

Para responder a esta pergunta, devemos voltar ao calendário romano, que tinha dez meses e só contava 304 dias. Não eram contados os 61 dias de pleno inverno porque, afinal, não eram utilizados para se trabalhar no campo, como se recorda no Mental Floss. Esses dois meses foram introduzidas no século VIII a. C. com o objetivo de chegar aos 355 dias por ano. Mas isso precisava que um desses meses tivesse 28 dias, e sobrou para o último a chegar. De tempos em tempos, o calendário era ajustado com um mês extra de 27 dias chamado Mercedonius. Finalmente, Julio César introduziu o calendário egípcio de 365 dias, para o qual, aliás, o ano 46 a. C. teve de ser de 445 dias. Houve alguns ajustes para se enquadrar.

Para ajustá-lo ainda mais, se acrescentou um dia a cada quatro anos depois de 24 de fevereiro, que era o sexto dia antes das calendas de março. O sexto dia é contado duas vezes, por isso era "bissexto", como escreveu Virgilio Ortega em Palabralogía.

16. O tempo poderia acabar?

Se o universo tem um começo, também terá um fim? Existirá um momento após o qual não haverá um depois, como escreve George Musser na revista Scientific American? É possível. Segundo esse artigo, "se o universo parar de se expandir e voltar a se contrair, seguiria similar a um big bang no sentido inverso -o big crunch-, o que levaria o tempo a parar".

Isso levaria a uma perda de direção e sentido do tempo, com "flutuações aleatórias de densidade e energia, fazendo com que os relógios, se houver algum, ir e voltar sem qualquer ordem".

A dimensão temporal poderia se converter em outra dimensão espacial e os "processos se converteriam em tão complexos que não se pode dizer que ocorram lugares e tempos específicos". Ou seja, “o espaço e o tempo não darão estrutura ao mundo”. Tudo isso poderia acontecer em apenas 5 bilhões de anos, de acordo com um estudo pessimista do físico Rafael Bousso, da Universidade de Berkeley.

Neste contexto, será complicado sobreviver, mas, pelo menos, não fará falta madrugar.