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Rússia e Grécia assinam um pacto econômico em plena crise com a UE

Primeiro-ministro Tsipras reúne-se nesta sexta-feira com Putin em São Petersburgo

Putin e Tsipras em São Petersburgo.
Putin e Tsipras em São Petersburgo. Getty Images

A Grécia retoma seu flerte com a Rússia enquanto se agravam os problemas com os parceiros europeus. O Governo de Tsipras assinou nesta sexta-feira, um dia depois do fracasso da reunião do Eurogrupo, um memorando com a Rússia para que o gasoduto Turkish Stream passe pelo território grego com financiamento russo, informa a Reuters. O ministro da Energia grego, Panayotis Lafazanis, afirmou ao assinar o acordo que a Grécia precisa de apoio e não de pressão em sua negociação com os parceiros e credores para resolver a crise da dívida e que a cooperação econômica com a Rússia não pretende gerar atritos com outros países ou com a Europa. Lafazanis é o líder da ala dura do Syriza, que é contra fazer concessões aos parceiros.

Na cerimônia de assinatura do acordo, o ministro da Energia russo, Alexander Novak, declarou que a Gazprom, a empresa estatal de energia russa, não assumirá o trecho grego do TurkStream, a outra denominação que recebe o gasoduto, que substitui o cancelado South Stream.

Em paralelo e também em São Petersburgo, o vice-primeiro-ministro russo Arkady Dvorkovich anunciou na sexta-feira que Moscou considera uma ajuda financeira a Atenas: “O mais importante para nós são os projetos de investimento e o comércio com a Grécia. Se for necessário apoio financeiro, consideraremos o assunto”, declarou em entrevista citada pela agência Tass.

Na quinta-feira, mesmo dia em que o futuro da Grécia na zona do euro era decidido na reunião dos ministros de Economia, o primeiro-ministro Alexis Tsipras chegou a São Petersburgo em uma visita oficial programada desde abril, a segunda que realiza à Rússia em menos de três meses. Acompanhado do ministro Lafazanis, o chefe de Governo viajou à antiga capital imperial para participar do Fórum Econômico Internacional, o maior encontro empresarial russo e que atrai numerosas empresas ocidentais, apesar das sanções vigentes contra o Kremlin.

Mas o encontro econômico não parece ser o principal motivo da viagem de Tsipras, que nesta sexta-feira terá “uma reunião de trabalho” com o presidente russo, Vladimir Putin. Dois assuntos principais, a colaboração energética e, provavelmente, a participação da Grécia no banco de desenvolvimento dos BRICS, a convite do Kremlin, são os núcleos da agenda de trabalho de sua visita. Nas últimas semanas foram levantadas dúvidas sobre o traçado do gasoduto TurkStream depois da proposta eslovaca de contornar a Grécia prevendo um possível colapso econômico grego. Durante a cerimônia de assinatura, o ministro da Energia russo, Alexander Novak, afirmou que a gigante estatal Gazprom não será proprietária do trecho grego do gasoduto.

Na quinta-feira, Tsipras compareceu à reunião de Lafazanis, um dos superministros econômicos de seu Governo, com o diretor da Gazprom, Alexei Miller.

“Queremos desenvolver boas relações e teremos a oportunidade de assinar um acordo político entre a Rússia e a Grécia para apoiar um gasoduto em nosso território”, disse Lafazanis na quinta-feira aos jornalistas.

Como em sua última visita oficial a Moscou, em abril, muitos interpretam a presença de Tsipras na Rússia como uma clara tentativa de conseguir ajuda econômica quando as negociações com os parceiros estão por um fio. Nada mais distante da realidade, segundo o vice-ministro da Economia russo, Serguei Storchak. “Não houve pedidos de ajuda por parte da Grécia; não temos recursos (…) A visita do primeiro-ministro está, em minha opinião, orientada a fechar projetos conjuntos e desenvolver as relações comerciais, e não a solucionar seus problemas orçamentários”, disse Storchak.

Interessa ao Kremlin que a Grécia resolva seus problemas financeiros e normalize as relações com seus credores, já que não deseja absolutamente “uma escalada das tensões” entre Atenas e seus parceiros, ressaltou Storchak.

O estreitamento de relações entre Atenas e Moscou desde a chegada do Syriza ao poder depois das eleições de 25 de janeiro suscitou inquietação nas chancelarias ocidentais, especialmente pelas reiteradas reticências gregas a endurecer ou ampliar as sanções contra o Kremlin.

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