Naufrágio na China

Barco com 458 pessoas naufraga durante cruzeiro em rio na China

Equipes de resgate recuperaram cinco corpos; mais de 400 estão desaparecidas

Imagem da TV chinesa mostra resgate de vítimas.Atlas / AP

As equipes de salvamento chinesas buscam mais de 400 pessoas desaparecidas após o naufrágio de um cruzeiro na noite de segunda-feira no rio Yangtzé, o maior da China. Até a manhã desta terça-feira (horário de Brasília), apenas 13 pessoas haviam sido resgatadas com vida e cinco corpos foram localizados, de acordo com os veículos de comunicação estatais chineses. Ainda segundo essas fontes, um número indeterminado de passageiros está vivo, mas permanecia preso no interior do barco, em uma área não inundada, aguardando o resgate.

A maioria das 458 pessoas que viajavam no Estrela do Oriente é de turistas aposentados de 50 a 80 anos, que participavam de uma excursão turística contratada através de uma agência em Xangai. O passageiro mais jovem é um bebê de apenas três anos, de acordo com uma lista de passageiros citada por vários veículos de comunicação chineses. Todos são de nacionalidade chinesa.

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Entre os sobreviventes estão o piloto e o capitão do navio, que segundo o jornal China Daily encontram-se sob custódia policial. O acidente aconteceu às 21h28 (horário local) na parte do rio que atravessa o condado de Jianli, na província central de Hubei, quando o navio naufragou em poucos minutos sem emitir nenhum sinal de socorro, por conta de um temporal na região. Segundo a emissora estatal de televisão CCTV, sete pessoas conseguiram chegar a nado na margem e alertar o ocorrido à polícia.

Cerca de 2.100 militares e policiais, assim como mil civis, dirigiram-se à região para tentar resgatar os passageiros. Por volta de 150 embarcações também participam das tarefas de busca e salvamento, trabalhos que estão sendo dificultados por um forte vento e a chuva intensa que assola a região e a visibilidade ruim causada pelo nevoeiro.

No total viajavam no barco 405 turistas, 47 membros da tripulação e cinco funcionários de uma agência de viagens. O barco naufragado fazia a rota de Nanquim, capital da província oriental de Jiangsu, a Xunquim, uma das maiores cidades da China, no sudoeste do país. O barco, com capacidade máxima de 534 passageiros, era propriedade de uma empresa de Xunquim especializada em cruzeiros que atravessam o popular destino turístico das Três Gargantas.

O presidente chinês, Xi Jinping, ordenou a utilização de todos os recursos necessários para resgatar os passageiros. O primeiro-ministro, Li Keqiang, chegou à região para coordenar os trabalhos e pediu que “todos os esforços” sejam dedicados às tarefas de resgate dos passageiros, informou a agência de notícias Xinhua.

O barco encontra-se a 15 metros de profundidade e parte da quilha aparece na superfície do rio. Imagens divulgadas pela CCTV mostram membros das equipes de resgate sobre ela enquanto tentam captar sons do interior do barco. Segundo a agência oficial Xinhua, citando o Ministério dos Transportes, o barco não estava sobrecarregado e contava com coletes salva-vidas suficientes. Todos os que puderam ser resgatados vestiam um.

A agência organizadora da viagem em Xangai, a Xiehe, não abriu as portas na terça-feira, onde um bilhete escrito à mão diz que os responsáveis se encontram na região do acidente. O acidente é o pior ocorrido no Yangtzé desde janeiro, quando um rebocador em fase de testes afundou e 22 das 25 pessoas a bordo morreram.

Famílias aflitas à espera de informação

AFP, Xangai

Os familiares dos passageiros do barco que naufragou no rio Yangtzé começaram a se reunir em diversos locais à espera de notícias. Dezenas deles, muitos chorando, compareceram à agência de Xangai responsável pela viagem para pedir informação sobre os desaparecidos na tragédia. “Ainda tenho tanta coisa para dizer a eles. Pensei que voltariam sãos e salvos” afirmou um homem que não quis se identificar cujos pais estavam a bordo.

Os parentes encontraram a agência de viagens fechada na qual os telefones não param de tocar. Um bilhete na porta avisa que os responsáveis pela agência deixaram os escritórios para lidarem com os familiares das vítimas.

Na cidade de Nanquim, de onde o barco acidentado zarpou, e no destino ao qual não chegou, a cidade de Xunquim, familiares também se concentraram ansiosos por notícias. Muitos deles se queixam da falta de informação sobre o acidente.

Wang Yiping, em frente à agência de viagens, disse que seu pai, já aposentado, gosta de viajar “com um grupo de amigos”. Muitos dos passageiros originários de Xangai são aposentados.

Um homem de 64 anos chamado Zhang (não forneceu seu sobrenome) explicou que na segunda-feira falou com sua esposa horas antes do acidente. A mulher contou que fazia mau tempo e que chovia muito. “Normalmente ligo duas vezes por dia, mas hoje, depois de ficar sabendo da notícia, não consegui”, relatou.

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