Florentino Pérez demite Ancelotti

Presidente do Real Madrid anuncia que o técnico não seguirá no comando da equipe Dirigente diz que nome do novo treinador será informado na próxima semana

Pérez anuncia a destituição de Ancelotti. (reuters_live)

Florentino Pérez, o presidente do Real Madrid, anunciou nesta segunda-feira a destituição do treinador Carlo Ancelotti, mas se negou a dar uma explicação para sua decisão. Também não apontou o nome do técnico que substituirá o italiano, mas avisou que isso será informado na semana que vem.

“O conselho de diretores decidiu substituir Carlo Ancelotti”, disse o presidente em uma entrevista à imprensa realizada no Bernabéu no fim da tarde. Florentino Pérez aparentava tensão. Trata-se de uma das decisões mais arriscadas que ele toma em seus 12 anos no cargo. E o faz contra a opinião da maioria dos sócios e contra a totalidade da equipe. Quase um salto no vazio. Sem que a solidez da rede que deve apoiá-lo, pelo que se supõe, acabe por convencê-lo. Na diretoria garantem que o presidente não vê com agrado nenhum dos muitos aspirantes a técnico que ele tem avaliado.

"Acreditamos que chegou o momento de dar um novo impulso”, disse o presidente

“Foi uma decisão muito difícil”, confessou o presidente. “Mas não viemos ao Madrid para tomar decisões fáceis, mas as melhores para a instituição, que é referência no mundo.”

“Ancelotti”, prosseguiu Pérez, “ganhou o carinho da diretoria, o meu pessoal e o de toda a torcida. Ele já faz parte da história porque conquistou a Décima. Mas neste clube a exigência é máxima e acreditamos que chegou o momento de dar um novo impulso para alcançar outro nível competitivo em uma nova etapa”.

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De tudo o que o empresário falou, isso foi o mais parecido a um argumento. “Não vou aceitar muitas perguntas porque não vou alongar-me muito”, disse.

De portas fechadas, o presidente do grupo ACS insiste em que Ancelotti não preparou bem a equipe do ponto de vista físico e que no plano tático fez alterações discutíveis quando disputavam a Liga. Essas explicações não convencem todos os seus assessores e é difícil comprová-las cientificamente. Há diretores que acreditam que a destituição é uma medida imprudente e dizem que Florentino Pérez se deixa influenciar em excesso pelo diretor geral corporativo, José Ángel Sánchez, que é um bom filósofo e um excelente administrador, mas não sabe mais de futebol do que um torcedor. A ausência de um diretor esportivo no organograma madridista não causa preocupação entre os dirigentes. É o próprio presidente quem exerce esse papel com a ajuda de técnicos e amigos que o aconselham.

A decisão de despedir Ancelotti foi tão analisada que a diretoria sondou quase todos os jogadores da equipe em busca de opinião. O resultado foi praticamente unânime: os jogadores sustentam que os métodos do italiano são ótimos. Perguntado pela defesa que fizeram do treinador os líderes do vestuário, jogadores como Modric, Kroos, Cristiano e Ramos, o presidente se mostrou compreensivo. “Os jogadores manifestaram o carinho que têm por ele”, disse, “que é o mesmo que eu tenho”.

Mourinho é o único treinador que realmente convence Florentino Pérez

Ancelotti foi o primeiro treinador que Florentino Pérez selecionou pessoalmente, sem se deixar influenciar por seus assessores habituais. Quando o contratou, no segundo trimestre de 2013, concretizou uma ideia que rondava sua mente havia uma década. A satisfação, no entanto, durou pouco. No Natal desse mesmo ano Ancelotti já era um técnico sob suspeita na órbita dos dirigentes. Florentino Pérez dizia se sentir decepcionado com o desinteresse que ele demonstrava por Illarramendi, questionava sua insistência em apostar em Alonso e Di María e lamentava que Isco não tivesse mais minutos em campo. O mal-estar cresceu até alcançar o pico nas vésperas da final da Copa de 2014. Há dirigentes que garantem que o presidente falou com Zidane para lhe pedir que se encarregasse da equipe no caso de derrota para o Barça. Mas o Madrid ganhou aquela final e passou à final da Champions, que também conquistou. A sobrevivência de Ancelotti provocou riso geral no seio do conselho. Os diretores começaram a chama-lo de El Gato.

Iniciada a última temporada, Florentino Pérez não concedeu nem um mês de crédito ao treinador. Seus colaboradores sondaram o mercado desde a segunda semana de setembro do ano passado em busca de alternativas. A derrota do Madrid na Liga para o Atlético, no Bernabéu (1 x 2), pôs em marcha a maquinaria do rastreamento. O primeiro candidato que a diretoria avaliou foi o alemão Jürgen Klopp. Depois disso transcorreram nove meses de pesquisas. Diversos representantes do clube se dedicaram a chamar toda uma lista de técnicos, diretamente ou por intermediários. Klopp, Löw, Vilas-Boas, Benítez, Lopetegui e Míchel foram alguns dos consultados. À frente de todos eles, os dirigentes madridistas colocaram José Mourinho.

Mourinho é o único treinador que realmente convence Florentino Pérez. O técnico português manteve contatos frequentes com o presidente e seu entorno. Mas se negou a aceitar o desafio de regressar. Segundo fontes do clube, Mourinho deu dois argumentos: primeiro, quer ganhar a Champions com o Chelsea; segundo, que não poderia dirigir o Madrid sem antes demitir Cristiano, Pepe, Casillas e Ramos, aos quais culpa por seu fracasso em 2012.