FESTIVAL DE CANNES

Produzido por brasileiro, argentino ‘Paulina’ ganha prêmio em Cannes

Cineasta argentino Santiano Mitre vence com outra história política, após ‘O Estudante’

O argentino Santiago Mitre ganhou na noite de quinta-feira o Grande Prêmio da Semana da Crítica com Paulina (La patota), e o prêmio revelação foi para o colombiano César Augusto Acevedo por La Tierra y La Sombra. A Semana da Crítica é a sessão paralela do Festival de Cannes, criada nos anos sessenta, na qual são exibidos primeiros e segundos filmes. Paulina, coproduzido pelo brasileiro Walter Salles, é o segundo filme de Mitre (Buenos Aires, 1980), que com o primeiro, O Estudante, ganhou o festival de Gijón. No total, sete longas participaram da Semana.

Mitre constrói, como em O Estudante, uma história política. Nesse caso fala das convicções e do direito a decidir de sua protagonista – interpretada por Dolores Fonzi –, e para isso criou sua própria versão de La Patota, o drama dirigido em 1961 pelo já falecido cineasta franco-argentino Daniel Tinayre com sua esposa, Mirtha Legrand, como protagonista.

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“Estou muito feliz e orgulhoso pelo prêmio. Agradeço a Charles Tesson e a todo o comitê de seleção por confiarem e serem tão receptivos conosco e com o filme. É um dia muito importante para mim e para todos que fizemos La Patota. Uma pessoa só começa a entender seu próprio trabalho quando o compartilha com o público, quando começa a ver as reações, as emoções, as ideias que surgem dele. Antes são apenas intuições, ideias soltas... Fazer um filme é quase um exercício de convicção. E o filme fala disso. Sobre a convicção, sobre a justiça, sobre a política, através de um personagem feminino muito particular como o de Paulina”, disse Mitre na noite de quinta-feira em uma mensagem deixada com seus dois produtores, pois o cineasta já havia ido embora de Cannes.

Paulina é uma mulher comprometida que tem pela frente uma futura e bem-sucedida carreira como advogada, mas decide dedicar-se a lecionar em uma região desfavorecida. Após ser estuprada por seus alunos e apesar das complexas decisões que deve enfrentar, decide manter-se firme em suas convicções e continuar com seu trabalho de professora.

A atriz e diretora israelense Ronit Elkabetz (protagonista e coprodutora de Gett, o divórcio), que presidia o júri, disse que o filme de Mitre “impressionou a todos pelas questões colocadas e pela protagonista continuar acreditando na humanidade apesar do risco que correm sua vida e seu corpo”.

La Tierra y La Sombra, um drama sobre a identidade e os efeitos da guerra, ganhou os prêmios SACD e filme revelação France 4. Em 2012 o espanhol Antonio Méndez Esparza venceu a Semana da Crítica com Aquí y Allá.