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Filipinas declaram disposição em ajudar refugiados asiáticos à deriva

É um dos países da região que assinaram a convenção da ONU para os refugiados

Milhares da minoria birmana rohingya correm risco de morrer em dias

Uma criança birmana rohingya em um refúgio temporário na Indonésia. Ver galeria de fotos
Uma criança birmana rohingya em um refúgio temporário na Indonésia. Getty Images

As Filipinas já acolheram outros balseiros que fugiam desesperados de seu país de origem há quase 40 anos. Era a guerra do Vietnã. Agora despertaram esperanças de que a história possa se repetir, desta vez com os refugiados da minoria birmana rohingya, que professa a religião muçulmana. O Governo de Manila – o único da região, juntamente com o Camboja, que assinou a Convenção da ONU sobre o Estatuto dos Refugiados – declarou-se disposto a agir em favor dos milhares de imigrantes dessa minoria que, espremidos em botes à deriva, vagam pelo Sudeste Asiático à procura de um lugar que os receba.

As Filipinas “prestaram assistência humanitária a balseiros e inclusive, nos anos setenta, estabeleceram um centro para a recepção de viajantes vietnamitas”, afirmou o secretario de Comunicações do país, Herminio Coloma, em declaração citada pelo site de notícias filipino rappler.com. “Continuaremos fazendo nossa parte para salvar vidas.”

Por sua vez, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores das Filipinas, Charles Jose, declarou ao canal de televisão ANC: “Temos o compromisso e a obrigação de prestar assistência humanitária a essas pessoas que pedem asilo.” Jose não esclareceu que tipo de ajuda humanitária Manila propõe exatamente.

Se Manila decidir abrir a porta a esses potenciais refugiados, seria “um exemplo para a região”, afirmou o subdiretor para a Ásia da Human Rights Watch, Phil Robertson. Mas disse que é necessário ter cautela, lembrando que dias atrás outros membros do Governo filipino afirmaram também que este país expulsaria os barcos de refugiados.

Cerca de 3.000 desses refugiados, muitos deles doentes ou desnutridos após meses no mar, aportaram na Malásia e na Indonésia nas últimas semanas, a maioria retirados dos barcos por pescadores ou depois de atingir águas pouco profundas. São os que têm mais sorte: chegam contando terríveis histórias de brigas entre os passageiros pela sobrevivência ou de abusos dos traficantes que os embarcaram e logo os abandonaram à própria sorte.

Os barcos interceptados pelas patrulhas da Malásia, Indonésia ou Tailândia recebem comida, água e combustível, sendo em seguida devolvidos ao alto mar – algo que as organizações humanitárias descreveram como “um jogo de ping-pong humano.”

Um desses barcos desperta uma crescente preocupação: desapareceu após ter sido rejeitado consecutivamente pelos três países, e com 300 pessoas a bordo, incluindo mulheres e crianças. Há três dias que as autoridades não detectam seus sinais.

Os ministros de Relações Exteriores dos três países têm reunião prevista para esta quarta-feira em Kuala Lumpur (Malásia) para tratar da crise. Na véspera do encontro, a chefe da diplomacia da Indonésia, Retno Marsudi, afirmou que a crise “não é um problema de um ou dois países, mas regional”.

A Tailândia convocou uma reunião regional sobre o problema para o próximo dia 29, tarde demais segundo as organizações humanitárias, tendo em vista a urgência da crise. A Birmânia ainda não confirmou sua presença. O Governo de Naypyidaw não reconhece essa minoria de 1,1 milhão de pessoas, considerada entre as mais perseguidas do mundo, nem lhe concede direito de cidadania. Considera seus membros imigrantes ilegais de Bangladesh, embora suas famílias tenham residido na Birmânia durante gerações.

Numa tentativa de pressionar as autoridades da região para que flexibilizem suas posturas, os organismos da ONU para os refugiados e a migração lançaram um apelo conjunto pedindo aos “líderes da Indonésia, Malásia e Tailândia que protejam os emigrantes e refugiados à deriva em barcos na baía de Bengala e no mar de Andamão de forma a permitir que desembarquem sãos e salvos, e que deem prioridade ao salvamento de vidas, à proteção dos direitos e ao respeito pela dignidade humana.”

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