ELEIÇÕES EUA

O republicano Jeb Bush busca o voto evangélico hispânico

Ele não formalizou sua candidatura ainda, mas já fala à crescente comunidade latina

Jeb Bush busca o voto evangélico hispânico.
Jeb Bush busca o voto evangélico hispânico.Ricardo Arduengo / AP

Apesar de ainda não ter anunciado sua candidatura à presidência dos Estados Unidos, o ex-governador da Flórida Jeb Bush cortejou o voto evangélico hispânico em Houston na segunda semana de maio, um gesto que pode contar a seu favor tanto nas primárias republicanas como na eleição geral.

A pergunta chave na corrida presidencial norte-americana é: quem é o candidato com mais possibilidades de ganhar a eleição para cada partido? O candidato mais viável, que certamente não agradará a todos entre as bases que votam nas eleições primárias, mas que tenha a força para ser competitivo na reta final, quando o eleitorado é mais amplo e moderado.

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Bush ainda não formalizou sua candidatura, mas sua estratégia parece ser precisamente essa: demonstrar que é uma opção competitiva nas eleições gerais. E o voto latino pode ser decisivo nessa eleição. Na segunda semana de maio depois de uma visita à Porto Rico, Bush chegou em Houston para discursar na Conferência Nacional de Liderança Cristã Hispânica (NHCLC, na sigla em inglês). Nesse foro compareceram dois dos eleitorados que podem ser decisivos para qualquer candidato republicano em 2016: o latino, que pendeu para o partido democrata nas duas últimas eleições presidenciais e o evangélico, de considerável peso político e econômico.

Bush respondeu aos dois públicos falando especificamente de imigração, mas também enfocando o valor da família e liberdade religiosa. “A imigração é um elemento fundamental para o sucesso de nosso país. Esse não é o momento de abandonar algo que nos tornou especiais e únicos”, disse.

Segundo a Associação Nacional de Funcionários Latinos Eleitos e Designados (NALEO) em 2012 mais de 11,1 milhões de latinos votaram. Essa cifra aumenta em aproximadamente dois milhões a cada eleição presidencial. Em estados importantes na eleição geral de 2016 como Colorado, Nevada, Flórida e Novo México, o voto hispânico será decisivo.

Mais de 11,1 milhões de latinos votaram nas eleições de 2012

Os quase 1.000 atentos participantes da conferência responderam calorosamente ao potencial candidato republicano. Bush lançou várias frases em espanhol, elogiou sua esposa, que é de origem mexicana, lembrou os avanços educacionais dos hispânicos na Flórida sob sua liderança e reconheceu o valor dos imigrantes.

Insistiu também nas mensagens típicas ao falar do tema: arrumar o sistema de imigração, controlar a fronteira, fazer com que a imigração legal seja mais fácil do que a ilegal, criar um catalizador de novos negócios e lidar com os 11 milhões de trabalhadores ilegais, “para que façam o que querem fazer que é trabalhar, não receber ajuda do governo e ganhar seu status legal”, afirmou.

Por trás dessas palavras muita coisa ficou de fora, ou que Bush simplesmente não mencionou por conveniência política, como se estenderia a ação executiva de imigração que detém as deportações de baixa prioridade e outorga permissões de trabalho aos ilegais avaliados. Não foi mencionado também o nível anual de deportações e os recursos e política necessários no caso dos menores e famílias que continuam cruzando a fronteira.

Apesar disso, teve uma calorosa acolhida na conferência. Carlos Malavé, diretor executivo das Igrejas Cristãs Unidas nos Estados Unidos comentou que “sua mensagem é o que as pessoas aqui querem escutar; um apoio à reforma migratória. Existem muitos detalhes que não mencionou pois não quer se indispor com a base de seu partido, mas acredito que se conseguir a indicação sua posição será favorável”.

Para Miguel Rosado, pastor da igreja Em Deus Confiamos “Bush falou muito bem, deixou claro o que para ele era básico e gostei muito disso. Penso que está inclinado aos latinos. Não sei se os hispânicos evangélicos iremos apoiá-lo, porque os políticos são políticos e mudam”, explicou.

Ele tem o potencial para transformar-se no candidato dos hispânicos evangélicos? A resposta, segundo o reverendo Tony Suárez, vice-presidente executivo da NHCLC, é “sim”. “Vemos que entre a família Bush do pai ao irmão, existe compaixão, são conservadores moderados. Hoje em dia em Washington ninguém se fala, é uma briga constante, falta um líder que faça acordos e acredito que Jeb Bush possa ser tal pessoa”, disse.

Segundo a empresa Latino Decisions 15% dos hispânicos são evangélicos. Em uma de suas pesquisas realizada na eleição presidencial de 2012 com 5.600 participantes a Latino Decisions estimou que 54% dos latinos evangélicos votaram no Presidente Barack Obama. Isso à nível nacional se traduz em aproximadamente 350.000 votos.

“O grupo que votou em Romney não estava de acordo com ele em relação à imigração, mas a favor em assuntos como bons valores, vida, casamento que são importantes. Não acredito que um candidato obtenha o voto dos latinos evangélicos em 2016 se não for favorável à reforma migratória”, acrescentou Suárez.

Ao falar de um espectro maior, o voto evangélico nos Estados Unidos, Suárez reconheceu que existem divisões importantes e esse é um dos principais trabalhos de sua organização dentro da igreja evangélica: eliminar a ideia de que a imigração é uma plataforma democrata.

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