Bayern - Barcelona: metade cabeça, metade coração

Afrontas pessoais e as revanches coletivas podem condicionar um confronto emocionante

Gol de Messi na primeira partida entre os times.
Gol de Messi na primeira partida entre os times. Emilio Morenatti (AP)

A julgar pelos números prévios ao encontro desta terça-feira no Allianz Arena, o Bayern tem muito pouca possibilidade de vencer a semifinal da Liga dos Campeões, a Champions League, em que enfrenta o Barcelona, vencedor por 3x0 no jogo de ida, no estádio do Camp Nou. A equipe de Luis Enrique nunca levou mais de três gols: as últimas referências são o 3x1 do Bernabéu e o 3x2 em Paris; permaneceu sem sofrer gols em 32 partidas e teve como saldo parcial nas últimas sete um placar de 25x0. Alcançou a cifra recorde de 47 triunfos em 55 encontros, e já são 28 as vitórias conquistadas desde o gol contra de Jordi Alba no Anoeta. Mas acontece que o Barcelona tomou quatro gols na última vez em que visitou Munique, quando da doença de Tito Vilanova (4x0), e que o campeão da Bundesliga esfolou nas quartas de final o time do Porto (6x1) depois de ser abatido em Portugal (3x1). As cifras podem ser interpretadas de muitas maneiras e já se sabe que o futebol vive de momentos, nem tanto de estatísticas, é nele mais difícil de fazer um escrutínio do que, por exemplo, no basquete. O jogo é hoje às 15h45 (horário de Brasília).

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Embora Neuer tivesse feito duas defesas, de um chute de Luis Suárez e outro de Daniel Alves, o Bayern sobreviveu no Camp Nou até os 32 minutos do segundo tempo, um instante fatídico para a equipe de Guardiola: Neymar caiu na área, o árbitro o olhou de viés, consciente certamente de que o brasileiro já havia levado um cartão, Neuer sacou rápido para que o time azul-grená deixasse de pedir pênalti, Bernat correu na lateral ainda mais depressa e, diante de tanta correria e precipitação, Alves se interpôs. O lateral se antecipou e armou a jogada de Messi, que respondeu com um gol de uma violência assustadora, cheio de fúria e de raiva, o 1x0. Entusiasmado, o 10 embelezou a partida com um segundo tento excelente, muito artístico: Boateng ficou caído no chão sem que o argentino lhe tivesse tocado nenhum pelo sequer, seguindo depois para apequenar o gigante Neuer com um toque suave e celestial: 2-0. Não foram mais de três minutos para arrematar depois o jogo nos acréscimos com uma assistência a Neymar: 3x0.

As lesões de Robben e Ribéry deixaram o Bayern sem potência

Ninguém diria que foi a segunda partida da Champions na qual Messi tocou menos vezes na bola (64) e que, além disso, foi o jogador de sua equipe que menos quilômetros percorreu (8,478), com exceção de Ter Stegen (5,870), pouco a ver com os 11,874 de Jordi Alba ou os 11,622 de Xabi Alonso, os dois atletas da disputa, do lado do Barça, que totalizou 114,738 km, 375 passes e 84% de eficácia – da parte do Bayern, 111.886 km, 488 passes, 88%. Guardiola cobriu bem Busquets e Iniesta, corrigiu rapidamente o 3-5-2 para o 4-4-2 e resistiu até que o 10 engraxou a máquina goleadora: 164 no total, 64% marcados pelo trio Messi, Suárez e Neymar.

Messi amadureceu, é um jogador mais sociável e familiar, espera o segundo filho, pesa cerca de cinco quilos a menos e se mostra muito generoso depois de uma carreira com 405 gols, 53 marcados durante a presente temporada – 40 na Liga e 8 na Champions – e mais assistências do que nunca: até 26.

A saúde da equipe azul-grená está expressa nas escalações: hoje jogarão presumivelmente os onze considerados titulares nas partidas de risco maior porque Luis Enrique é cauteloso com o Bayern e há tempo para ganhar a Liga. Apesar de estar há quatro partidas sem vencer, Guardiola espera a reação futebolística do Bayern para reviver as velhas glórias do clube, que já pede contas ao ex-técnico do Barça. Disse Matthaus: “Parece que os jogadores perderam a fé em Pep depois de considerar-se muito esperto nas alterações”. Guardiola apela ao jogo enquanto os alemães evocam seu caráter indomável, o mesmo que costuma irromper mal começa a partida no Allianz Arena.

Quando soa o alarme, ocorrem situações impossíveis de os rivais enfrentarem em terras germânicas, como aconteceu com os quatro gols de Lewandowski, então no Borussia Dortmund, no Real Madrid em 2013. O problema é que as lesões de Robben e Ribéry deixaram o Bayern sem potência.

A saúde da equipe do Barça está expressa nas escalações: hoje jogarão presumivelmente os onze considerados titulares nas partidas de maior risco

Diante do Porto jogaram Lahm e Götze nas laterais e Thiago comandou. O Bayern agradeceu então a serenidade, depois que a excitação o levara pelo mau caminho na temporada anterior contra o Madrid. Também ganhou a posse de bola no Camp Nou: 55% contra 47%. Em troca perdeu a partida irremediavelmente nas áreas: “Já vai acabar esta merda?”, se perguntou Müller no estádio, depois de ser trocado por Götze. Aos alemães o 3x0 pareceu exagerado e cruel, tanto como para os azuis-grená o 4x0 e o 0x3 do Bayern no Barça em 2013. “Ainda não dissemos a última palavra”, sentenciam no Allianz Arena.

As afrontas pessoais e as revanches coletivas fazem prever que hoje não haverá tempo para a especulação, mas que haverá um confronto emocionante que tem como prêmio a passagem para a final de 6 de junho em Berlim. Os antecedentes e os porcentuais servem às vezes bem pouco quando se ativa a caldeira das paixões da Copa da Europa. As vitórias costumam ser, com frequência, coisa de momento.

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