Leonel Messi

Messi Futebol Clube

Barcelona vive do argentino, que lidera a equipe e o clube na mesma medida

Messi festeja seu primeiro gol no Barcelona.
Messi festeja seu primeiro gol no Barcelona.Vladimir Rys Photography (Getty)

Com a mesma naturalidade com que liquidou o Bayern de Munique com um chutaço e genialidade, Lionel Messi carrega o Barcelona de tal maneira que se torna até difícil explicar. Na noite de quarta-feira, quando pôs outra vez o Camp Nou e o mundo a seus pés, incluindo Kobe Bryant, resumiu ante as câmaras do Canal + o seu sentimento: “Bom, agora irei para casa, darei um beijo em meu filho e me jogarei na cama”. Assim simples, como se nada tivesse acontecido. Mas algo aconteceu: Messi demonstrou outra vez, quase sem querer, que acima dele está o céu. E no seu rastro, o clube.

“Chegou à sua maturidade, é algo absolutamente evidente. E o fez de um jeito muito normal, muito natural”, contam quem viveu a seu lado desde que era apenas um aprendiz de Ronaldinho no vestiário do Barcelona, e quem o viu aprender com Xavi e Iniesta, ou rir-se com Piqué e Alves. “Mas agora, olham para ele, esperam para ver o que faz e, então, o resto age”, acrescentam. Basta apenas vê-lo na sala de imprensa, cada vez mais à vontade. Agora, o Barça é ele, um clube que continua sendo mais que um clube: o FC Messi. Não há outro líder a não ser ele, e sob o seu talento carrega o presidente, o treinador e a equipe. Gols demais, assistências demais, tudo demais.

“Ele torna nós todos bons”, diz Piqué. “É bom demais”, garantem até mesmo os rivais, Bernat, por exemplo, o lateral do Bayern de Munique, a última equipe que sofreu com ele. Os gols de Leo são revistos nas redes sociais de tal modo que levaram o Barcelona a ser uma epidemia, com tanta razão como demonstra o próprio site da UEFA, que apontou o argentino e Neymar, Mascheramo, Rakitic e Alves como parte do onze ideal da jornada. O restante da equipe da primeira parte das semifinais é completada pelo goleiro do Bayern, Neuer, e quatro jogadores da Juventus, que na terça-feira ganhou do Real Madrid (2-1).

Nos últimos cinco anos, o Barça multiplicou por três seu valor econômico

Nos últimos cinco anos, o Barcelona multiplicou por três seu valor econômico – segundo um estudo da revista Forbes, o clube tem um valor de 2,8 bilhões de euros (9,35 bilhões de reais) e o elevou em 21,5% nos últimos três anos. O do Real Madrid, por sua vez, diminuiu em 1,5%. A culpa se deve em boa parte ao talento de Messi. Sem ir mais longe, este ano fez mais de um gol por partida (53 em 51 jogos), o que representa 32,7% dos tentos do Barça; acumula 27% das finalizações do Barcelona (243) e dos chutes para marcar, 44% terminam em gol. “Sua eficácia é incrível”, reconhece Suárez, com que se dá maravilhosamente bem. De fato, chegado a este ponto, é difícil encontrar alguém nos bastidores com que se dê mal.

Messi, além disso, participa de alguma maneira da metade dos gols azul-grená (exatamente de 49,38%). Ao mesmo tempo, melhorou sua média de dribles por partida, alcançando 5,4 por jogo, um mais do que no ano passado. “Um ano difícil porque não ganhamos nada e pelo que se passou fora do campo”, admitiu na terça-feira. Até mesmo nas faltas recebidas pela equipe, em 15% ele é o alvo.

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Os companheiros o reverenciam, a começar por Neymar, que o adora; já os dirigentes nem se atrevem a lhe saudar, e Luis Enrique tratou de fazer ver que o argentino é quem manda. Na conversa com os atacantes no início da temporada, deixou claro: “Leo escolhe”. E o fato é que Leo manda, para o bem.

Sua capacidade de aglutinar cresceu de maneira exponencial ano após ano, temporada após temporada, na mesma medida em que seu rendimento. Já não são detalhes, é um conjunto. Já não é um rapaz fugidio, escondido em um canto do vestiário com Sylvinho, mas que o grupo procura. O clube está a seus pés, ao mesmo tempo que o mundo se ajoelha diante de seu talento.