O prestígio de Guardiola

“Não estou aqui para ser o melhor treinador do mundo. Isso é uma merda”, defende-se

Guardiola, durante a coletiva de imprensa. Michaela Rehle (atlas)

Às onze da manhã de domingo, no Allianz Arena, perguntaram a Pep Guardiola se ele temia que seu prestígio sofrerá um abalo no caso de que o Barcelona volte a ganhar do Bayern em seu estádio, nesta terça-feira. “Não estou aqui para ser o melhor treinador do mundo. Tentar sê-lo… isso, isso é uma merda. Nunca busquei uma coisa dessas. Minha vida não depende de ganhar ou perder. Prestígio? Eu estou de moletom, só ajudo os jogadores a ganhar. Não teria ganhado nada se não houvesse treinado superequipes. Meu prestígio é ajudar no que for possível os jogadores a chegar à final”. Ele não parece zangado, tampouco preocupado. Simplesmente sabe que hoje se mede a Messi e ao tempo, contra “a melhor equipe dos últimos 15 anos”, conforme definiu o Barcelona. E isso aproxima qualquer mortal da resignação, pelo caminho da preocupação.

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“Estamos contentes de haver chegado à semifinal e embora tenhamos que virar um placar muito difícil, vamos experimentar, vamos tentar, somos o Bayern”. Como? O técnico catalão tem uma ideia: “As pessoas pensam que temos que atacar, mas primeiro temos que defender e a partir daí a partida vai dizer. Eu posso prever coisas, mas no final, a partida dirá”, insistiu o técnico nascido em Santpedor, que negou que o problema seja de vontade, de mentalidade: “Se ganha com jogo, não com mentalidade. A mentalidade não é um problema, você pode competir se tiver a bola, você domina, cria oportunidades e em Barcelona não fizemos isso. Sei o que as pessoas querem: ataque, ataque e ataque, mas o que temos que fazer é controlar o jogo”, disse.

Pep Guardiola

“Eu gostaria de fazer um gol cada vez que chegarmos ao ataque, atacar muito, mas sei que a bola, quanto mais rápido vai, mais rápido volta e o Barcelona se tornou a melhor equipe de contra-ataque do mundo. A única coisa que sei é que para fazer gols é preciso jogar bem futebol”. Pep lembrou que o Barcelona tem “o controle da partida na própria pele” e enfatizou em que “se nos desorganizamos, eles nos penalizam”.

Ao chegar ao Allianz, bem cedo, disposto a completar a jornada prévia ao jogo de volta da semifinal, viu a primeira página do Bild em que Beckenbauer, presidente de honra do clube, o instou a se manifestar sobre seu futuro –seu contrato termina no ano que vem– e o jornal perguntou ao dono do Manchester City se é verdade que tem um pré-contrato com o técnico catalão. Em consequência disso, Guardiola se livrou do assunto rapidamente. “Já disse 200 milhões de vezes que tenho um ano de contrato e ficarei aqui. Isso é tudo”. E explicou sua ideia do que é ser treinador. “Aqui sou feliz e dou o melhor, se for suficiente para as lendas do clube, para os jornalistas, os veteranos, então está ótimo, porque eu faço o melhor. Sou feliz, ganhei tudo com o Barcelona e foi um sonho ter sido contratado pelo Bayern”.

Para alguns, Pep joga seu prestígio. Ele diz que joga a possibilidade de estar na final, em Berlim. “Estamos contentes de ter chegado à semifinal e embora tenhamos que virar um marcador muito difícil, vamos tentar”. No ano passado, contra o Real Madrid, ele tentou nas quartas de final da Champions e acabou goleado. Às vezes conseguiu: 2 x 6 no Bernabeu, 5 x 0 no Camp Nou contra o mesmo Real Madrid, e até ganhou duas finais da Champions. Questão de prestígio.