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“Ouvimos a montanha ranger”

As avalanches depois do tremor no Everest sepultaram uma dezena de alpinistas

As nevadas dificultam o resgate na região

Sherpa nepalês no dia 18 de abril em Namche Bazar (Everest) Ampliar foto
Sherpa nepalês no dia 18 de abril em Namche Bazar (Everest) AFP

O intenso terremoto no Nepal se transformou em uma avalanche mortal no Everest. A neve desabou sobre alguns acampamentos em plena temporada de escalada, bem quando começam as melhores semanas para tentar subir ao pico mais alto do mundo. As autoridades locais indicaram que havia pelo menos 10 mortos, enterrados sob a neve, mas que é provável que a cifra aumente.

Foram registradas avalanches em todo o Himalaia. “Sentimos a montanha ranger”, afirmava o veterano alpinista Carlos Soria no Facebook de sua expedição. “As cadeiras começaram a se mover dentro da loja comunitária e ouvimos uma grande avalanche; fazia mau tempo e não conseguíamos ver nada”, explicava depois, através de um telefone satelital, o espanhol de 76 anos, acampado perto do Anapurna (8.091 metros). O pico, situado a uns 200 quilômetros a leste de Katmandu, está muito próximo do epicentro do sismo. A equipe de Soria, composta por outros quatro espanhóis e vários sherpas, encontra-se em perfeito estado. Há dois dias tinham desistido de subir à cúpula.

Abril é um dos meses mais populares de escalada na cordilheira do Himalaia, antes que a chuva e as nuvens ocultem seus míticos picos no final de maio. Quando se registrou o terremoto, mil alpinistas estavam na vertente nepalesa do Everest, no campo base ou em suas laterais, segundo os cálculos do Ministério do Turismo do Nepal. Entre os mortos podem estar tanto “estrangeiros quanto sherpas”, afirmava um porta-voz. Não se sabia neste sábado de quais nacionalidades.

O pânico se apoderou de vários acampamentos, sobretudo nas regiões do Himalaia mais próximas ao epicentro do sismo, situado a 150 quilômetros a oeste de Katmandu (o Everest está a 200 quilômetros nessa direção da capital nepalesa). “Saí correndo da minha barraca para salvar minha vida. São e salvo. Muita, muita gente na montanha”, tuitou o alpinista romeno Alex Gavan, que no momento do terremoto estava se preparando para subir ao Lhotse, a quarta montanha mais alta do mundo, vizinha do Everest. “Grande desastre. Ajudo na busca e resgate das vítimas”, disse.

As comunicações na área são complicadas, confirmava Soria. O difícil acesso complica as tarefas de salvamento. Para chegar por via terrestre aos acampamentos são necessárias longas e difíceis marchas de aproximação, que podem se prolongar por semanas, ou um helicóptero, mas a neve que caía ontem impedia os voos.

Mil alpinistas acampavam na vertente nepalesa do pico

A diretora da agência France Presse no Nepal, Ammu Kannampilly, assegurou que o terremoto deixou os alpinistas isolados. “Ficamos presos pelo tremor de terra no Everest. Está nevando, nenhum helicóptero pode chegar”, explicou através de uma mensagem de texto.

De um dos acampamentos no Everest, a 5.700 metros de altura, a alpinista catalã Nuria Picas explicou à Rede SER que sentiu o terremoto enquanto preparavam o material na barraca. “Nós estamos bem, apesar de assustados pelos que estão lá em cima”, disse. “De repente, começou a nevar e ocorreram várias avalanches, embora por sorte nenhuma nos pegou.”

“A avalanche de hoje terá um impacto na atividade, mas é um desastre natural e ninguém pode fazer nada”, disse para a Reuters, Ang Tshering Sherpa, presidente da Associação de Montanhistas do Nepal.

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