O patriarca da Volkswagen se demite

Ferdinand Piëch, presidente da VW, perdeu a disputa com o conselheiro delegado

O presidente da Volkswagen, Ferdinand Piëch.
O presidente da Volkswagen, Ferdinand Piëch.MARIJAN MURAT / EFE

Durante duas eternas semanas, a Volkswagen –maior fabricante de automóveis da Europa– se viu envolta em uma inédita luta pelo poder, protagonizada por Ferdinand Piëch, o poderoso presidente do Conselho de Administração da VW, e pelo conselheiro delegado da empresa, Martin Winterkorn. A luta terminou neste sábado com uma grandiosa derrota de Piëch, considerado o patriarca da VW, que anunciou que ele e sua esposa Ursula renunciavam a seus cargos.

O breve comunicado divulgado na tarde de sábado põe fim à batalha que o próprio Piëch iniciou há duas semanas, quando confessou a um jornalista da revista der Spiegel que havia se distanciado de Winterkorn, uma expressão quase diabólica destinada a obrigar o conselheiro delegado da VW a renunciar ao cargo, uma decisão que naquele momento ninguém conseguiu entender.

Winterkorn era considerado como o filho adotivo do próprio Piëch e, ao longo de sete anos à frente do consórcio, tinha conseguido levar a VW ao segundo lugar entre os maiores fabricantes de automóveis do mundo, atrás da Toyota. Mas a decisão de Piëch, ao invés de receber o apoio do resto dos membros do Conselho, foi criticada pela família Porsche, pelo governo da Baixa Saxônia e pelos representantes dos trabalhadores.

Na sexta-feira retrasada a paz parecia ter chegado a Wolfsburg quando o Conselho de Administração tornou público um comunicado em que apoiava a gestão do conselheiro delegado e garantia sua continuidade além de 2016, quando vence seu contrato. A decisão do Conselho pôs fim a uma semana de incerteza e levou a crer que a normalidade havia retornado à planta nobre do gigante alemão.

Mas o patriarca não se resignou à derrota e seguiu conspirando nos bastidores para forçar a saída de Winterkorn, uma atuação que incomodou os outros membros do Conselho e obrigou Piëch a confessar, na sexta-feira, a dois meios de comunicação alemães (Bild e der Spiegel), que ele nunca tinha tentado forçar a renúncia de Winterkorn.

Até sexta-feira, Piëch –em sua qualidade de acionista majoritário da VW e presidente do Conselho de Administração– era considerado o verdadeiro centro de poder do consórcio, uma realidade que fez dele uma pessoa admirada e temida ao mesmo tempo. Mas a dupla derrota foi, aparentemente, excessiva para um executivo acostumado a impor suas ideias e caprichos sem que ninguém se atrevesse a contradizê-lo. Neste sábado o patriarca pôs fim a sua longa e bem-sucedida carreira na Volkswagen, que começou em 1993, quando o neto de Ferdinand Porsche, o inventor do Fusca, foi nomeado conselheiro delegado para pôr em prática uma tarefa descomunal, cuja meta era evitar que os japoneses se apoderassem do mercado automobilístico alemão.

Ele teve êxito e quando deixou o cargo, em 2002, para assumir a presidência do Conselho de Administração, a Volkswagen era novamente uma empresa saneada e com fome de conquistar o mundo. Nos últimos 13 anos, Piëch se propôs atingir outro objetivo invejável: controlar uma empresa maior do que a que havia dirigido seu famoso avô para demonstrar que ele, que não tem o sobrenome Porsche, era o melhor. Conseguiu isso em 2009, quando tornou o grupo Porsche SE, composto em partes iguais pela família Piëch e pela família Porsche, proprietário de 50,7% das ações da VW.

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