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Anistia acusa palestinos de cometerem crimes de guerra em Gaza

ONG responsabiliza o braço armado do Hamas por disparo indiscriminado de foguetes

Miliciano palestino dispara um foguete em treinamento na Faixa de Gaza.
Miliciano palestino dispara um foguete em treinamento na Faixa de Gaza.SAID KHATIB (AFP)

A Anistia Internacional (AI) divulgou na quinta-feira um relatório no qual acusa grupos armados palestinos, incluindo o braço armado do Hamas, de terem cometido crimes de guerra no conflito de 2014 na Faixa de Gaza, ao lançar indiscriminadamente foguetes que mataram civis em território israelense. No final do ano passado, a AI já havia divulgado outro documento no qual acusava Israel de cometer crimes de guerra ao bombardear áreas habitadas em Gaza.

A organização humanitária considera que os militantes palestinos violaram o direito internacional ao dispararem centenas de foguetes e projéteis de morteiros – armas que não eram teleguiadas e não tinham alvo específico – contra Israel. Seis civis morreram no Estado judeu por causa desses ataques, e a investigação também culpou os grupos palestinos pela morte de 13 civis em um campo de refugiados palestinos, num suposto incidente de fogo amigo.

Durante 50 dias de conflito em Gaza, nos meses de julho e agosto de 2014, foram mortos mais de 2.220 palestinos, a maioria deles civis, bem como 67 militares e seis civis israelenses. Outro relatório divulgado também na quinta-feira pela ONU destaca que o número de civis palestinos mortos em confronto com Israel durante 2014 atingiu um nível sem precedentes (mais de 1.500 mortos) desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

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“A violência cometida por uma parte no conflito não justifica as violações do direito internacional cometidas pela outra”, sustenta a AI, que também manifesta a suspeita de que os grupos palestinos armazenaram munições em edifícios civis, como escolas administradas pela ONU, e lançaram ataques a partir de zonas próximas a refúgios de civis deslocados pelo conflito.

A Autoridade Palestina aderiu recentemente ao tratado que regulamenta o funcionamento do Tribunal Penal Internacional, que assim poderá, a partir de abril, examinar as acusações sobre eventuais crimes de guerra cometidos em território palestino. Seus responsáveis esperam que a Justiça internacional atue por iniciativa própria e abra uma investigação sobre os fatos ocorridos em Gaza.

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