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Avião com 150 pessoas a bordo cai na rota entre Barcelona e Düsseldorf

Airbus da Germanwings colidiu com montanha no sul da França e não há sobreviventes

Familiares dos passageiros do avião, no aeroporto.

Um avião da Germanwings que realizava o trajeto entre Barcelona e Düsseldorf caiu nesta terça-feira nos Alpes franceses, em um lugar cujo acesso por estrada é impossível. "Aqui não há ninguém, apenas a neve", explica um habitante de Méolans-Revel, que pede para não ser identificado. "São os Alpes meridionais, é una zona montanhosa perdida", acrescenta.

O voo GW9525, feito com um Airbus modelo A320, decolou às 9h55 (4h55 pelo horário de Brasília) do aeroporto El Prat, em Barcelona, segundo a empresa Aena, que administra os aeroportos espanhóis. As primeiras informações indicavam a presença de 148 pessoas a bordo, mas a empresa revelou, pelo Twitter, que eram 150 – 144 passageiros (incluindo dois bebês) e 6 tripulantes. Há 45 sobrenomes aparentemente espanhóis na lista de passageiros.

Um porta-voz da Germanwings informou que 67 alemães estavam no avião. Entre eles, 16 estudantes de intercâmbio que, acompanhados de dois professores, haviam participado de um programa do Instituto Giola, em Llinás del Vallés (Barcelona).

"Vamos levar dias para recuperar as vítimas", explicou o comandante da polícia Jean-Paulo Bloy para a Reuters. O primeiro helicóptero já chegou ao ponto onde aconteceu o acidente. "Um helicóptero conseguiu aterrissar (na região) para constatar, infelizmente, que existem apenas vítimas", informou o primeiro-ministro francês, Manuel Valls. Uma das caixas negras do avião já foi encontrada. O deputado socialista da região, Selon Chistophe Castaner, afirmou que os destroços estão desaparecidos em uma área de dois quilômetros, segundo os guardas franceses que estão sobrevoando o local do acidente. Castaner descreveu em sua conta de Twitter as primeiras cenas com as quais se depararam os serviços de socorro: "Imagens espantosas nesta paisagem de montanhas. Não resta nada, apenas destroços do avião e corpos".

Valls também afirmou que "não se pode descartar nenhuma hipótese" a respeito do que pode ter acontecido com o avião. O porta-voz da Germanwings, Thomas Winkelmann, explicou que às 10h47 (6h47 no Brasil) o Airbus —pilotado por um profissional com 10 anos de experiência e 6.000 horas de voo—, começou a perder altura. Em poucos minutos já estava a 1.800 metros e às 10h53 (6h53 em Brasília) faz o último contato. Na região, os picos mais altos chegam a 3.000 metros.

O avião passou de 30.000 a 6.900 pés (9.000 a 1.800 metros) em apenas nove minutos. Segundo o Ministério do Exterior francês, o avião acidentado é um dos mais antigos da empresa. Winkelmann  negou que a idade do avião possa ser uma causa, ainda que não tenha querido "especular" sobre os motivos do acidente e preferiu ser "prudente".

Segundo a agência Reuters, o avião não emitiu nenhuma chamada de emergência. Foi o controlador do aeroporto mais próximo que deu o sinal de alarme quando detectou a queda contínua de altura.

A aeronave com matrícula D-AIPX —que fez o mesmo trajeto, no sentido contrário, esta manhã— foi construída em 1990 e começou a operar em 1991. Antes de passar a compor a frota da Germanwings havia voado com as cores de Lufthansa. A última revisão técnica foi no verão europeu (inverno brasileiro) de 2013, segundo informações de Winkelmann.

Por causa do acidente, uma visita de Estado que os Reis da Espanha fariam à França foi suspensa.

Falando ao EL PAÍS, o vice-prefeito da comuna (conjunto de aldeias) de Prads-Haute-Bléone, onde aconteceu o acidente, disse que o avião colidiu contra o pico de Estrop, com 2.981 metros de altitude. “O problema é que não há estradas, e os serviços de socorro só podem chegar lá de helicóptero”, disse Alain Ciardet. A polícia francesa informou que mobilizou nove helicópteros e 210 agentes que se dirigem ao local do acidente. Nas próximas horas aumentará para quase 600 o número de pessoas destinadas ao resgate. A comarca inteira tem apenas 232 habitantes.

Um dos possíveis problemas para os socorristas será a falta de luz, já que nesta época o sol na região se põe por volta de 18h30 (hora local; 14h30, em Brasília). Segundo a rádio France Info, o acidente ocorreu concretamente em Val d’Allos, uma área com pistas de esqui onde o único deslocamento possível é por trilhas ou por helicóptero.

Rajoy informou durante uma coletiva de imprensa em Vitoria que está em contato com a presidenta alemã, Angela Merkel, sobre este “tristíssimo e dramático acidente”. O presidente assegurou que as notícias são “preliminares”, mas acrescentou que tudo indica ser um “gravíssimo acidente, muito triste, e com a dramática perda de muitas vidas humanas”.

O Governo francês confirmou a catástrofe minutos antes das 7h (hora de Brasília). Logo em seguida, o presidente François Hollande manifestou publicamente suas condolências e, apesar da ausência de informações sobre as causas e as circunstâncias do acidente, declarou que possivelmente não haveria sobreviventes. Àquela altura, ele dizia que a lista de passageiros não havia sido divulgada, mas que “é provável que haja muitas vítimas alemãs”. 

A França estabeleceu um gabinete de crise. O Governo espanhol também decidiu montar um gabinete especial para tratar da tragédia, segundo fontes do Ministério do Interior. No aeroporto de El Prat, nos arredores de Barcelona, uma sala especial foi montada para receber os familiares das vítimas. Segundo o Governo francês, não há passageiros franceses.

O diretor-gerente da Germanwings, Oliver Wagner, afirmou que a empresa não pode antecipar as causas do acidente, mas que todos os esforços serão feitos para esclarecer o ocorrido.

O A320 tem capacidade para até 150 passageiros. No site da empresa, que tem sede em Colônia, o voo Barcelona-Düsseldorf é vendido por 39,90 euros (136,14 reais).