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Tesoureiro do PT é denunciado por corrupção no escândalo da Petrobras

Ministério Público pede abertura de investigação criminal sobre João Vaccari Neto

O ex-diretor da estatal Renato Duque foi detido em sua casa no Rio, em ação relacionada

Renato Duque ao ser preso no Rio em 2014.
Renato Duque ao ser preso no Rio em 2014. Ag. O Globo

A 10ª fase da operação Lava Jato, desencadeada nesta segunda-feira (16) pela Polícia Federal, não trouxe boas notícias para o PT. Pela segunda vez em menos de cinco meses o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, acusado de ser o operador do partido no esquema de corrupção da estatal, foi preso pela PF. Ele e o tesoureiro do partido João Vaccari Neto foram denunciados nesta tarde pelo Ministério Público Federal por envolvimento no caso. No total, a procuradoria denunciou mais 21 pessoas.

Segundo o procurador de Justiça Deltan Dallagnol, Vaccari arrecadou 200 milhões de dólares para o PT fruto de pagamento de propina. A quantia foi posteriormente repassada à legenda na forma de doações oficiais, o que constituiria lavagem de dinheiro. Segundo o promotor, o MPF tem provas de que o tesoureiro "tinha consciência de que os pagamentos eram feitos a títulos de propinas". Além disso, o ele foi citado em quatro depoimentos de delatores da Lava Jato: Pedro Barusco (ex-gerente da Petrobras), Paulo Roberto Costa (ex-diretor da estatal), Augusto Mendonça e o doleiro Alberto Youssef.

Barusco havia indicado a existência do esquema de lavagem durante a CPI da Petrobras, na semana passada. De acordo com ele, Duque solicitou à empresa holandesa SBM um “patrocínio de campanha” de 300.000 dólares que serviria de “reforço” para ajudar a eleger Rousseff: “foi ao PT [a doação], pelo João Vaccari Neto [tesoureiro do PT]”. O ex-diretor e o tesoureiro sempre negaram a participação em qualquer esquema ilegal envolvendo a estatal.

Duque foi detido em sua casa na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, na manhã desta segunda-feira (16), e não ofereceu resistência. Segundo a PF, a prisão temporária foi pedida pelo juiz Sérgio Moro durante a 10ª fase da Lava Jato. O magistrado justificou a medida alegando que Duque ainda estaria movimentando dinheiro não declarado à Receita Federal depositado em contas no exterior no segundo semestre de 2014, mesmo depois das investigações sobre a corrupção na Petrobras terem sido iniciadas: ele teria transferido 20 milhões de euros (cerca de R$ 68 milhões) de contas na Suíça para outras em bancos localizados no principado de Mônaco,

A quantia foi bloqueada pelas autoridades do principado. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o advogado de Duque, Alexandre Lopes, negou que ele tenha movimentado a quantia.

Além do ex-diretor, que é acusado pela procuradoria de ser o principal operador do PT no esquema de corrupção envolvendo a estatal, a décima etapa da Lava Jato também prendeu o empresário Adir Assad e Lucélio Roberto von Lehsten Góes, filho de Mario Góes. Este último está preso em Curitiba e é investigado por seu papel como suposto operador do esquema de corrupção. No total, a PF cumpre 18 mandados, sendo dois de prisão preventiva, quatro de prisão temporária e 12 de busca e apreensão.

O ex-diretor Paulo Roberto Costa, que assinou um acordo de delação premiada, disse em depoimentos à PF que Duque repassava 3% dos contratos que assinava para o partido. O nome de Duque também aparece nos depoimentos de Pedro Barusco, que era subordinado ao ex-diretor preso, e do doleiro Alberto Yousseff.

Afastado da Petrobras em 2012 pela presidenta Dilma Rousseff (PT), Duque ocupou a diretoria de serviços de 2003 até o ano de seu desligamento. Ele havia sido indicado para o cargo pelo então ministro chefe da Casa Civil do Governo do ex-presidente Lula, José Dirceu.

Duque chegou a ser detido em novembro de 2014, mas foi solto em dezembro após uma decisão favorável do ministro Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal, que acatou o pedido de habeas corpus de seus advogados.

A CPI da Petrobras da Câmara dos Deputados deveria ouvir o depoimento de Duque nesta quinta-feira. Na semana passada o ex-gerente da estatal Pedro Barusco, e o ex-presidente da companhia Sergio Gabrielli compareceram à comissão.

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