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Facebook jihadista é bloqueado

Simpatizantes do EI lançam rede social, atacada e bloqueada em questão de horas

Portada de la red yihadista 5elafabook.
Página da rede jihadista 5elafabook.

Estreou na Internet no domingo, e na segunda-feira já havia sido retirada. A primeira tentativa de uma rede social para simpatizantes do califado, batizada de 5elafabook (que significa califadobook) e inspirada na filosofia e estilo do Facebook, provocou duas reações: a primeira, a rápida resposta dos internautas — do governo ou de redes privadas — para bloquear seu conteúdo e funcionamento; a segunda, o debate entre os simpatizantes do Estado Islâmico (EI) sobre a conveniência de manter conversas numa rede aberta, campo fértil para a intromissão dos serviços de inteligência.

Segundo a primeira versão do 5elafabook, que ativistas da iniciativa Raqqa is being slaughtered silently (Raqqa está sendo assassinada silenciosamente) conseguiram capturar, a rede copiava, em grande parte, sobre um fundo ilustrado com um mapa com várias bandeiras do EI, a estética do projeto de Mark Zuckerberg. Dados rastreados pela agência Reuters mostram que o site, registrado em 3 de março no servidor GoDaddy.com, havia sido criado através do Socialkit, um software para montar redes sociais sob medida.

A página do 5elafabook, antes de ser derrubada, oferecia ao internauta, como qualquer outra rede social, a opção de se registrar ou iniciar a sessão caso o usuário já fosse cadastrado. Segundo informações do grupo de inteligência Site, especializado em rastrear grupos jihadistas na Internet, a criação do 5elafabook despertou um acalorado debate nos fóruns jihadistas sobre a conveniência de deixar esta via de informação aberta aos centros de espionagem.

Depois de ser bloqueada, os autores da rede informaram por meio de uma página estática, em árabe e em inglês, que estavam suspendendo temporariamente o serviço “para proteger seus membros”. “O 5elafabook é um site independente e não é patrocinado pelo Estado Islâmico”, dizem numa mensagem. “Reiteramos que nosso propósito é esclarecer ao mundo que não estamos apenas carregando armas e morando em covas”, diz o comunicado, “mas combatendo inimigos da região de Alá (Deus)”.

Ao mesmo tempo em que a rede jihadista era derrubada, o mesmo acontecia com seu perfil no Twitter. Segundo um relatório recente da Brookings Institution, desde setembro o Twitter intensificou sua campanha contra contas vinculadas ao EI — calcula-se que há pelo menos 46.000 seguidores de jihadistas nessa rede de microblogs. Não se sabe quem está por trás do 5elafabook, nem exatamente quem derrubou a rede. Ciberativistas vinculados ao grupo Anonymous informaram, através da hashtag #OpISIS (operação contra o Estado Islâmico), que estavam por trás do bloqueio.

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