Coreia do Sul

Atentado com faca fere embaixador dos Estados Unidos em Seul

Agressor diz ser contra manobras militares norte-americanas na Coreia do Sul

O embaixador Lippert após levar uma facada no rosto. Reuters-LIVE! (reuters_live)

O embaixador dos Estados Unidos na Coreia do Sul, Mark Lippert, foi vítima de um atentado nesta quinta-feira no centro de Seul, cometido por um suposto defensor do regime comunista norte-coreano. O diplomata sofreu vários cortes no rosto, no punho e em parte do antebraço. Apesar das imagens impactantes após o incidente – que mostram Lippert com sangue no rosto e no braço –, os ferimentos feitos com uma faca de cozinha não são graves. O embaixador permanece em um hospital da capital sul-coreana, em condição estável.

O atentado ocorreu pela manhã (noite de quarta-feira no Brasil), quando o diplomata participava de um evento organizado pelo Conselho Coreano de Cooperação e Reconciliação, no qual faria uma palestra. O agressor, identificado como Kim Ki-jong, estava dentro do recinto, apesar de não ter sido convidado. Foi quando se aproximou do norte-americano e desferiu as facadas, enquanto gritava palavras de ordem em favor da reunificação da península coreana e contra as manobras militares conjuntas realizadas nos últimos dias pelos Exércitos dos Estados Unidos e Coreia do Sul. A Coreia do Norte se referiu ao atentado como um “castigo justo”, segundo a Reuters.

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Lippert, de 42 anos, embaixador em Seul desde o ano passado, levou mais de 80 pontos em cinco ferimentos, segundo informação dos médicos à agência de notícias sul-coreana Yonhap. Um dos cortes é de 11 centímetros de comprimento e 3 de profundidade, estendendo-se do queixo ao lado direito da face. Kim, por sua vez, machucou o tornozelo durante o incidente, que terminou com sua detenção. Ele foi interrogado durante três horas pelas forças de segurança.

O surpreendente é que esse mesmo suspeito, de 55 anos, já havia atacado o então embaixador japonês em Seul, em 2010, atirando-lhe um pedaço de cimento. Foi condenado à prisão, mas obteve a liberdade condicional. Na época, disse que o ataque tinha relação com uma disputa territorial entre Seul e Tóquio pela posse das ilhas Dodko. Agora, Kim parece ter se aliado à causa do regime norte-coreano. Questionado sobre os motivos do ataque de quinta-feira ao embaixador, ele disse: “Não gosto que um maluco que mal completou 40 anos tenha tanta influência sobre a política entre as duas Coreias”. Os serviços de inteligência sul-coreanos informaram que o agressor viajou em até seis ocasiões à Coreia do Norte em 2006 e 2007.

Os Estados Unidos e a Coreia do Sul iniciaram na segunda-feira os seus habituais exercícios militares conjuntos em território sul-coreano. As atividades, que servem para preparar a reação a um hipotético ataque norte-coreano, prosseguem até o dia 24. A chancelaria norte-coreana descreveu as manobras como uma “agressão intolerável”, de natureza “mais provocadora que nunca, e cujo objetivo é derrubar o sistema socialista que os norte-coreanos escolheram”. Pyongyang, aliás, respondeu com o lançamento de dois mísseis de curto alcance no mar do Japão, no dia em que os exercícios começaram. O dirigente Kim Jong-un afirmou em seu discurso do Ano Novo que as manobras anuais “impedem um diálogo apoiado na confiança e prejudicam o avanço das relações entre o Norte e o Sul”.

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