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Sob pressão, Brasil lança segunda nota e cita atos contra políticos e partidos

Para Brasília, há escalada de tensão na Venezuela e temor é que conflito volte às ruas

Maduro mostra quadro de Bolívar em Trinidad e Tobago. Ampliar foto
Maduro mostra quadro de Bolívar em Trinidad e Tobago. EFE

A diplomacia brasileira lançou a segunda nota em quatro dias sobre a crise venezuelana. Para os padrões do Governo Dilma Rousseff, o texto subiu o tom contra Nicolás Maduro e afirmou que "medidas" "que afetam diretamente partidos políticos e representantes democraticamente eleitos" na Venezuela são motivo de "crescente atenção".

Foi uma referência direta à prisão do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, na quinta-feira, sob acusação de conspiração, e às buscas feitas na sede do partido oposicionista Copei em várias cidades da Venezuela nesta semana. Na nota na sexta, o caso de Ledezma não havia sido citado. O texto desta terça também critica o chamado de opositores a "abreviar" o mandato de Maduro.

O governo brasileiro está sob intensas críticas, provenientes do mundo político doméstico, analistas e de ONGs de direitos humanos, pela suavidade com que trata os últimos movimentos do governo Maduro. O argumento repetido por Brasília é que não pode ultrapassar o limite da ingerência e que é preciso preservar o status de mediador no conflito.

Um trio de chanceleres da Unasul, formado por Brasil, Colômbia e Equador, planeja para os próximos dias nova visita a Caracas para continuar as gestões da organização sul-americana e do Vaticano na crise. São crescentes as críticas à limitação da Unasul na questão. A própria decisão de Brasília de enviar recados de maneira individual, por meio das duas notas do Itamaraty, reforça essa impressão.

No governo Dilma, a avaliação é de que houve uma escalada da tensão entre sexta e esta terça e há o temor de que o conflito volte às ruas de vez após os confrontos em Táchira, onde um adolescente morreu em circunstâncias ainda não esclarecidas. A principal preocupação é de que a crise prejudique ou inviabilize as eleições legislativas previstas para este ano.

A crise venezuelana deve ser um tema de conversas entre os mandatários do Mercosul, do qual a Venezuela faz parte, durante a posse do presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, no domingo.

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