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Estado Islâmico sequestra 90 cristãos no Nordeste da Síria

Vítimas foram capturadas em dois povoados na região

Ataque aéreo em novembro produz nuvem de fumaça na localidade síria de Kobane.
Ataque aéreo em novembro produz nuvem de fumaça na localidade síria de Kobane. REUTERS

Jihadistas do Estado Islâmico (EI) sequestraram na tarde desta segunda-feira pelo menos 90 cristãos assírios na província de Hasaka, no Nordeste da Síria, segundo informações do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com sede em Londres. A captura teve lugar em plena operação conjunta, na qual Unidades de Proteção Popular curdas (YPG, na sigla em curdo) tentam avançar por terra sobre posições do EI de forma coordenada com as forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos, que lhes abrem caminho com bombardeios aéreos.

Nos últimos dias, tropas das YPG retomaram o controle de 20 povoados na periferia de Hasaka, matando 12 jihadistas do EI, e os bombardeios da coalizão acabaram com a vida de outros 14. A província de Hasaka, a 50 quilômetros da fronteira Nordeste com o Iraque, encontra-se dividida entre zonas controladas pelos curdos e zonas sob o jugo do EI. Os 90 assírios foram sequestrados nos povoados de Tal Shamiram e Tal Hermuz, mas não foi divulgado em que circunstâncias.

Na semana passada, jihadistas do EI divulgaram vídeo em que 21 egípcios coptas eram degolados. O Governo egípcio de Abdelfatá al Sisi respondeu bombardeando posições dos jihadistas na vizinha Líbia. Em agressiva campanha contra pessoas de confissão cristã, o EI atacou várias igrejas na Síria (em que cerca de 10% da população é cristã) e os exigiu que os “cruzados” (os cristãos) que vivem no território sob seu controle paguem um dízimo em troca de sua vida.

Na sexta-feira passada, Washington e Ankara concordaram em apoiar grupos rebeldes moderados sírios que combatem o EI e a Frente al Nusra (filial da Al Qaeda na Síria). O acordo, que pretende reforçar por terra as operações aéreas dos 60 membros da coalizão, será implementado de forma imediata. Turquia e Estados Unidos querem equipar e treinar tropas rebeldes, entre os quais cerca de 1.200 combatentes já teriam sido identificados. Numa segunda fase, o treinamento poderia ser reproduzido na Jordânia, no Catar e na Arábia Saudita.

Segundo o Observatório Sírio, 1.601 pessoas morreram devido aos bombardeios da coalizão, iniciados há cinco meses. Entre elas, 1.465 jihadistas do EI e 62 civis. O custo das operações desde setembro atinge 7,3 milhões de euros (aproximadamente 21 milhões de reais) por dia, com um aumento pedido pelo presidente dos EUA de 7,8 bilhões de euros no orçamento para 2016.

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