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Suspeito postou vídeos do Estado Islâmico e fez declarações antissemitas

Polícia dinamarquesa acusa duas pessoas de terem fornecido armas ao terrorista

ATLAS

Omar Abdel Hamid El Hussein, o jovem de 22 anos que diversos órgãos da mídia apontam como o suposto autor dos assassinatos do fim de semana em Copenhague, postou em seu perfil no Facebook, antes do primeiro ataque, um vídeo em favor do Estado Islâmico, segundo o jornal Ekstra Bladet. El Hussein, nascido na Dinamarca de família palestina, também teria feito declarações antissemitas e falado abertamente durante sua permanência na prisão de seu desejo de viajar à Síria para participar da jihad. Apesar de a polícia não ter confirmado a identidade do homem, a mídia dinamarquesa revela cada vez mais dados pessoais dele.

Imagem de 2013 difundida pela polícia dinamarquesa mostra Omar Abdel Hamid El-Hussein, suspeito de ser o autor do atentado em Copenhague. ampliar foto
Imagem de 2013 difundida pela polícia dinamarquesa mostra Omar Abdel Hamid El-Hussein, suspeito de ser o autor do atentado em Copenhague. Reuters

El Hussein, que competiu na categoria profissional em luta tailandesa, saiu da cadeia há duas semanas depois de cumprir parte de uma condenação por um ataque com faca em um trem, no segundo semestre de 2013. Embora a pena fosse de dois anos, os tribunais o deixaram livre porque ele estava havia mais de um ano na prisão e o julgamento da apelação fora fixado para agosto deste ano. Colegas de sala de aula consultados pela France Presse o descrevem como alguém inteligente e atencioso, mas com um aspecto obscuro. "Às vezes tinha um comportamento agressivo, mas no restante do tempo era amável e tinha boas notas", diz Julie, uma antiga colega, em declaração à agência francesa.

O autor do atentado matou no sábado o cineasta dinamarquês Finn Nørgaard em um centro cultural onde estava sendo realizado um debate sobre liberdade de expressão. Horas mais tarde, assassinou Dan Uzan, um jovem judeu de 37 anos que fazia a segurança nas portas de uma sinagoga onde dezenas de pessoas celebravam uma cerimônia de bar mitzvah —a passagem dos meninos para a idade adulta—, e feriu três agentes.

A polícia dinamarquesa acusou formalmente nesta segunda-feira duas pessoas que tinham sido detidas no domingo, por cooperação com os ataques. "Os dois homens foram acusados de ajudar com recomendações e ações o autor dos disparos em Krudttonden e Krystalgade [os bairros onde se encontram o centro cultural e a sinagoga]", afirma a polícia em um comunicado. Segundo declarou seu advogado a órgãos da mídia digital, eles estão sendo acusados de ter fornecido as armas usadas nos ataques e de dar guarida ao terrorista depois dos atentados.

Imagens do atentado, gravadas por um cinegrafista amador. REUTERS-LIVE!

A Dinamarca já foi alvo da ira islâmica há 10 anos, quando o jornal Jyllands-Posten publicou algumas caricaturas de Maomé, exemplo mais tarde seguido por outras publicações, incluindo o semanário francês Charlie Hebdo. Isso desatou uma onda de violência, com o incêndio, entre outras, da embaixada dinamarquesa na Síria e, depois, centenas de mortos.

A televisão transmitia o áudio do debate de sábado no qual o discurso da ativista do Femen Inna Schewtschenko sobre a liberdade de expressão e a blasfêmia era de repente interrompido por uma rajada de umas 40 balas. É a dramática continuação de um choque violento que parece não ter fim.

Líderes pedem aos judeus que não emigrem para Israel

C. Y., L. D./París, Copenhague

A insistência do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em instar os judeus europeus a emigrarem para Israel – ele fez isso no domingo, depois dos ataques na Dinamarca, mas já havia feito o mesmo chamado aos judeus franceses, depois dos atentados de Paris – suscitou críticas dos líderes europeus, que defendem a Europa como lugar para quem professa essa fé.

Na França, tanto o presidente, François Hollande, como o primeiro-ministro, Manuel Valls, censuraram nesta segunda-feira a mensagem de Netanyahu. Hollande afirmou que não queria deixar passar despercebidas as palavras do político israelense porque delas se poderia deduzir que "os judeus não têm lugar na Europa e na França, em particular". "Mesmo que se esteja em campanha eleitoral, não se pode fazer qualquer tipo de declaração", frisou Valls à RTL. "Quando um judeu francês se vai, com ele se vai um pedaço da França", acrescentou.

Em termos semelhantes se pronunciou nesta segunda-feira a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, que disse estar orgulhosa e agradecida" por hoje em dia viverem judeus na Alemanha, já que a comunidade praticamente desapareceu do país depois da Segunda Guerra Mundial. "Faremos todo o possível para que os judeus fiquem", prometeu.

A primeira-ministra dinamarquesa, Helle Thorning-Schmidt, também respondeu na mesma linha à oferta de Netanyahu. "A comunidade judaica está há anos neste país. Eles são parte da Dinamarca. Não seríamos os mesmos sem eles", disse a líder social-democrata.

Já o ministro de Relações Exteriores da Áustria, Sebastian Kurz, afirmou que "a Europa sem judeus não seria a Europa". Segundo declarou em um comunicado, "o aumento dos incidentes antissemitas em toda a Europa é um fato terrível. Por isso, temos de trabalhar intensamente por sua segurança".

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