Suspeita de crime financeiro ronda o sucessor de Graça Foster

MPF estuda abertura de inquérito por empréstimos do BB com recursos do BNDES

Bendine em reunião em Brasília, em 2010.
Bendine em reunião em Brasília, em 2010.VALTER CAMPANATO (AFP)

O Ministério Público Federal está prestes a abrir um inquérito judicial para apurar se o Banco do Brasil, e seu atual presidente, Aldemir Bendine, que foi escolhido nesta sexta-feira para assumir a Petrobras, estão envolvidos em um processo que pode configurar crime financeiro. Empréstimos concedidos pelo banco à socialite Val Marchiore, e a seus parentes, teriam seguido procedimentos suspeitos, segundo o MPF. A procuradoria regional solicitou documentos ao Banco do Brasil para saber se a concessão de um crédito de 2,7 milhões de reais, a juros subsidiados do BNDES, teriam sido feitos de forma irregular. Marchiore, inclusive, era devedora do BB, o que, em tese, deveria limitar o acesso ao crédito.

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O BNDES concede linhas de créditos para empresas, mas os recursos obtidos por Marchiore, amiga de Bendine, seriam para sua utilização como pessoa física. O processo foi aberto no ano passado. Várias pessoas já foram ouvidas, entre elas, o ex-motorista de Bendine, que revelou ter conduzido o agora ex-presidente do BB a diligências em que transportou sacolas de dinheiro. À época das denúncias, Bendine negou as acusações de que teria autorizado a 'exceção'.

O Ministério solicitou documentos para esclarecer os empréstimos feitos a Val Marchiore, mas o banco negou-se a apresentá-los. A procuradoria responsável pelo caso teve de entrar com uma ação judicial para obter os papeis solicitados.

O novo presidente da Petrobras já esteve envolvido em outra polêmica, em 2010, quando a mídia divulgou que o executivo havia comprado um apartamento no interior de São Paulo pagando cerca de 130.000 reais em dinheiro vivo. O fato gerou estranheza à época por ele ser um executivo que incentiva os demais a depositar suas economias em banco. Agora, terá de responder pelos seus fantasmas do passado para provar que está à altura das expectativas num dos cargos mais importantes no Governo de Dilma Rousseff.