Crise na Grécia

Primeiro-ministro grego diz que busca solução para a dívida boa para todos

Em discurso, Tsipras promete que não haverá “nenhum grego sem ajuda nem sem comida”

Tsipras promete que não terá “nem um grego sem ajuda nem sem comida”ATLAS

Em discurso para sua equipe de Governo, transmitido ao vivo pela TV da sala do Parlamento, onde se reuniu pela primeira vez o Conselho de Ministros, o novo chefe do Executivo grego, Alexis Tsipras, lembrou quais serão as prioridades do “Governo de salvação nacional” que lidera, como o denominou em duas ocasiões: enfrentar a crise humanitária pela qual passa o país depois de cinco anos de políticas de austeridade e cortes; a recuperação econômica e a criação de empregos; a reestruturação da dívida “que beneficie todos”; o império da transparência –uma das palavras que mais repetiu—; a luta contra a corrupção; a evasão fiscal e o clientelismo.

“Nenhum grego sem ajuda, sem comida, sem eletricidade”, afirmou Tsipras. “Temos nosso próprio programa de reformas com o objetivo de não criar novo déficit, mas também sem os imperativos asfixiantes” impostos pela troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) desde 2010, quando foi aprovado o primeiro resgate. “Aqui não há vencedores nem vencidos, somos o Governo de todos os gregos, e trabalharemos como tal”, afirmou.

“A atitude da Europa em relação à Grécia mudou depois do resultado das eleições de 25 de janeiros, e estamos dispostos a falar com todos na Europa”, disse, ressaltando que nesta semana visitará Atenas Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, e, na sexta-feira, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.

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Precisamos realizar reformas necessárias, que não foram feitas nos últimos 40 anos, para acabar com uma forma de Estado que funcionava contra os interesses da sociedade”, disse Tsipras em seu discurso, referindo-se à corrupção e ao clientelismo. Foi uma fala geral, em que desfiou as ideias centrais de sua campanha –repetidas também na comemoração da vitória, no domingo à noite em Atenas– e em que não anunciou nenhuma medida concreta. Isso ficará a cargo deste primeiro Conselho de Ministros, que passou a deliberar em sigilo depois da introdução televisionada de Tsipras.

Entre outras iniciativas, o Executivo aprovará a alta do salário mínimo a 751 euros (cerca de 2.300 reais), o valor anterior à crise; e a interrupção das privatizações de interesses nacionais estratégicos (parte do porto de Pireu, a empresa pública de eletricidade). Além disso, o vice-ministro da Saúde anunciou “o restabelecimento do acesso universal ao sistema público de saúde e a eliminação do copagamento”.

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