Os rendimentos do iPhone superam todos os da Microsoft e Google juntos

A Apple consegue cerca de 51 bilhões de dólares com a venda do celular, 9 bilhões a mais do que conseguem seus dois rivais de forma combinada em todos seus negócios

Logotipo da Apple em São Francisco, EUA.
Logotipo da Apple em São Francisco, EUA.KIMIHIRO HOSHINO (AFP)

A Apple fechou o trimestre da temporada de compras de Natal com um lucro recorde de 18 bilhões de dólares (46 bilhões de reais), o que representa um aumento de 37,4% em relação ao mesmo período no ano passado. A empresa eletrônica com sede em Cupertino, perto de San Francisco, registrou rendimentos no valor de 74,6 bilhões de dólares, impulsionados pela demanda da China e as vendas do iPhone 6. O crescimento do celular da Apple é tão grande que em apenas três meses a empresa ganhou 51,1 bilhões de dólares por este produto, cerca de 21% a mais do que ganharam, de forma combinada, seus rivais Google e Microsoft por todos seus negócios.

A multinacional norte-americana vende 34.000 celulares a cada hora

Os resultados correspondem ao primeiro trimestre de seu exercício fiscal, que começou em setembro. É o primeiro trimestre que inclui as vendas da última geração do iPhone, integrada por dois modelos com uma tela maior que a geração anterior deste telefone e que tenta competir com os modelos da Samsung. No total, foram vendidos 74,5 milhões de unidades do celular, o que representa um aumento de 46% quando se compara com o mesmo período do ano anterior. “É difícil entender o volume de vendas do iPhone... 34.000 celulares vendidos a cada hora, em cada dia do trimestre”, declarou o diretor executivo da Apple, Tim Cook.

Cook classificou estas contas de “incríveis” durante a apresentação dos resultados aos analistas de Wall Street. O sucessor de Steve Jobs afirmou que a demanda pelos produtos da empresa “nunca foi tão alta”, com a metade das ativações de celulares em todas as regiões do mundo nesse período. Também acrescentou que espera que a margem de lucro da empresa fique entre 38,5% e 39,5%. Este lucro, insistiu Cook, “é simplesmente fenomenal”.

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A publicação das contas coincide com o quinto aniversário da estreia oficial do iPad. O tablet da Apple registrou uma nova queda nas vendas do dispositivo eletrônico, chegando a 21,4 milhões de unidades. O mercado de tablets eletrônicos não está apenas saturado pela grande quantidade de fabricantes que existe, mas também está sendo atacado pela concorrência interna dos phablets (os celulares grandes que podem atuar como tablets).

O crescimento do mercado chinês

A Apple tem o costume de impressionar Wall Street, apesar de que nos últimos anos seu crescimento a cada trimestre estava mais moderado em relação ao que acontecia quando chegaram os primeiros iPhone no mercado. Mas os analistas eram, desta vez, especialmente otimistas pela demanda dos produtos da Apple na China, apesar de que ali a concorrência da Huawei, Lenovo e Xiami é muito dura. As vendas cresceram cerca de 70% no ano, chegando a 16,17 bilhões de dólares. Os analistas da UBS asseguram que supera os EUA, algo que Cook não confirmou. Ele disse que os ingressos no país em um trimestre superaram os dos últimos cinco anos.

O iPhone continua sendo o produto estrela da empresa, embora a multinacional dirigida por Tim Cook tenha apresentado, no final do ano passado, um relógio interativo, que ainda não está à venda, e um serviço de pagamentos eletrônicos que concorre com o PayPal, do eBay. A previsão de Wall Street era um aumento de 17% nas vendas desde o final de setembro até o fim do ano passado, um prognóstico amplamente superado.

As vendas recorde do iPhone, que representam 2/3 dos ingressos, não são uma surpresa. As quatro grandes operadoras de celular no EUA já indicaram que os novos modelos foram, de longe, os dispositivos mais exigidos, e a tendência continua e poderia ser acelerada com a disponibilidade dos modelos com mais memória. Tampouco é surpresa que seja o celular líder na China, embora Cook admita que terá que lutar para manter esta liderança. A concorrência no país asiático sempre existiu, mas agora também é mais intensa.

As vendas de computadores

O iPhone 6 é mais caro que o fornecido pelos fabricantes chineses e sul-coreanos. Mas sua margem de lucro é consideravelmente maior, algo que agrada especialmente os investidores. Um efeito da maior venda do celular é que anima os clientes a comprar mais notebooks. A venda de computadores Mac cresceu 14,5%, chegando a 5,5 milhões de unidades.

Os resultados, conhecidos no fechamento de uma sessão na qual, contraditoriamente, a Apple tinha perdido 3,5%, foram bem recebidos em Wall Street. As ações da Apple refletiram durante os últimos meses o entusiasmo dos investidores, com um crescimento de 45% no ano. Desde a introdução, em setembro passado, do iPhone 6 houve um crescimento de 15%. É um rendimento na Bolsa que supera comodamente os 15% do índice S&P 500 e os 11% do Dow Jones.

O mercado de opções, no entanto, está sendo também muito ativo com a Apple. Embora o potencial da plataforma de pagamentos Apple Pay pode criar uma nova via de ingressos para a empresa, existe um grupo importante de investidores que não vê muito bem o potencial de crescimento que poderá trazer o Apple Watch. Também continua preocupando a enorme dependência no iPhone, que no primeiro trimestre representou 68% das vendas contra 56% no ano passado.

A questão é ver o que acontece, a partir de hoje, com as ações. O título era trocado abaixo dos 110 dólares antes de se conhecer os resultados, abaixo do máximo histórico de 119 dólares que alcançou em novembro passado. O investidor ativista Carl Icahn continua insistindo que pode chegar aos 200 dólares a unidade, o que daria à empresa uma capitalização superior a 1 bilhão de dólares.

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