Caso Nisman

Stiusso, o grande espião suspeito

Presidenta Cristina Kirchner acredita que um agente plantou pistas falsas

A presidenta Cristina Kirchner e seus colaboradores mais próximos estão convencidos de que o promotor Alberto Nisman foi usado por uma pessoa do serviço secreto que plantou pistas falsas em sua denúncia de quase 300 páginas. O espião em questão tem nome, sobrenome e codinome: Antonio Horacio Stiusso, ou Jaime, de 61 anos. Ocupou cargos de direção na Secretaria de Inteligência nos últimos 20 anos e foi chefe de operações até que Cristina Kirchner destituiu a cúpula desse órgão no mês passado. Ele era conhecido como o verdadeiro homem forte do serviço secreto.

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O poder de Stiusso era conhecido e temido a ponto de, na semana passada, a Casa Rosada interpretar a denúncia de Nisman como uma vingança por sua destituição. Stiusso tinha fama de ser um osso duro de roer. E havia exemplos mais ou menos recentes. Em 2004, o então ministro da Justiça, Gustavo Béliz, desafiou Stiusso. Acusou o espião de manejar recursos milionários e oferecer ao presidente Néstor Kirchner (2003-2007) informação falsa sobre o atentado da AMIA, em 1994. Béliz mostrou pela primeira vez a imagem do espião na televisão e disse: “A SIDE [Secretaria de Inteligência de Estado Argentina] é dirigida por um senhor de quem todo mundo tem medo porque dizem que é perigoso e que pode mandar te matar. Esse homem participou de todos os Governos e se chama Jaime Stiusso”. Depois daquele programa, Néstor Kichner pediu a renúncia de Béliz e este declarou: “É o preço de dizer a verdade; mexi com o aparato mais sombrio da Argentina, que é a SIDE”.

A partir daí, Stiusso voltou às profundezas do serviço secreto. O caso AMIA possibilitou a ele ampliar seus contatos com a CIA, o FBI e o Mossad israelense. Continuou trabalhando na sombra. Até que, em novembro, denunciou que se sentia ameaçado. E em dezembro concedeu – algo inédito para um agente secreto – uma entrevista à revista Notícias. “Cai um meteorito e põem a culpa em mim”, queixava-se Stiusso sobre todos os casos obscuros que lhe atribuíam.

Pouco depois da entrevista foi destituído. Quando Nisman tornou pública sua denúncia, o secretário da Presidência, Aníbal Kirchner, vinculou-a a uma operação de Stiusso, um “tapa de afogado”, de quem já se via fora do Serviço de Inteligência. Em uma entrevista ao canal Todo Noticias, do grupo Clarín, perguntaram-lhe se era certo o que dizia Aníbal Kirchner e Nisman respondeu: “Conheço Stiusso, estive com Stiusso, é uma das pessoas que mais sabem sobre o caso AMIA. Quando Néstor Kirchner me pôs à frente da investigação, já o conhecia (Stiusso), ele me disse: ‘A pessoa que mais sabe do que você vai trabalhar é esta’. O caso AMIA é um atentado terrorista internacional, tenho que trabalhá-lo com organismos de inteligência”.