17 prêmios Nobel adiantam o Relógio do Apocalipse em dois minutos

Símbolo da vulnerabilidade do planeta fica a três minutos da “catástrofe global”

Desfile de armamento em Pyongyang (Coreia do Norte) em 2012.
Desfile de armamento em Pyongyang (Coreia do Norte) em 2012.KCNA

Um grupo de 17 cientistas premiados com o Nobel decidiu adiantar em dois minutos o Relógio do Apocalipse, uma figura simbólica que desde 1947 alerta sobre a vulnerabilidade do mundo diante de um desastre em escala planetária. O relógio está agora a três minutos da “meia-noite”: uma catástrofe global.

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O relógio, criado pelo Boletim de Cientistas Atômicos da Universidade de Chicago (EUA), só se moveu 18 vezes em toda sua história. A última vez que esteve tão próximo do fim do mundo foi em 1984, com os EUA e a URSS em plena Guerra Fria. Em 1991, estava a 17 minutos.

“Em 2015, a mudança climática sem controle, a modernização global das armas nucleares e os descomunais arsenais atômicos representam extraordinárias e inegáveis ameaças à existência da humanidade”, explica o conselho científico do Boletim em sua página na Internet. Esse órgão tomou a decisão, junto com um grupo de assessores que inclui 17 nobéis e outros prestigiosos pesquisadores, como o físico britânico Stephen Hawking.

A mudança climática e os arsenais nucleares são uma ameaça para a humanidade, segundo os especialistas

“Os líderes mundiais não agiram com a velocidade e a escala necessárias para proteger a população de uma potencial catástrofe”, critica a nota. Os pesquisadores lembram que 2014 foi o ano mais quente desde o início dos registros em 1880 e que 9 dos 10 anos mais quentes ocorreram desde 2000.

“Sem uma drástica mudança de rumo, os países do mundo terão emitido, no final deste século, CO2 e outros gases do efeito estufa em quantidade suficiente para transformar profundamente o clima da Terra, prejudicando milhões e milhões de pessoas e ameaçando muitos sistemas ecológicos dos quais a civilização depende”, alertam.

Os especialistas denunciam também que “os esforços para reduzir os arsenais nucleares do planeta pararam”. Enquanto os EUA e a Rússia melhoram seus depósitos atômicos, outros países com armas nucleares – como o Reino Unido, França, China, Paquistão, Índia, Israel e Coreia do Norte – unem-se “nessa modernização louca, cara e extremamente perigosa”. Os EUA gastarão 355 bilhões de dólares (917 bilhões de reais) na próxima década para realizar essa modernização, de acordo com o Boletim.

“A probabilidade de uma catástrofe global é muito alta e as ações necessárias para reduzir o risco de desastre devem ser tomadas o quanto antes”, concluem os cientistas. Entre os prêmios Nobel, encontram-se Masatoshi Koshiba, pioneiro no estudo dos neutrinos, e Leon Lederman, o físico que batizou o bóson de Higgs de “a partícula divina”.