União homossexual

Flórida se abre para o casamento gay

É o 36º Estado dos EUA a reconhecer a união entre casais do mesmo sexo

Karla Arguello e Catherina Pareto.
Karla Arguello e Catherina Pareto.JOE RAEDLE (AFP)

Catherina Pareto e Karla Arguello foram o primeiro casal de mulheres a contrair matrimônio na Justiça de Miami, pouco depois de ter sido oficialmente eliminada a proibição da união de casais do mesmo sexo no Estado da Flórida. “Trouxeram alianças?”, perguntou a juíza Sarah Zabel, depois de as noivas expressarem seus votos. “Nós as usamos há 15 anos”, respondeu Arguello, rodeada de parentes, amigos, câmeras de televisão e outros três casais que aguardavam havia décadas pelo direito de casar. Com essa cerimônia, a Flórida se tornou o Estado número 36 do país a reconhecer a união legal entre casais do mesmo sexo.

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"Finalmente a Flórida se une ao grande número de Estados que nos reconhece como uma família com todos os direitos, como casal, com a mesma proteção e identidade legal que outro casal teria. Esperamos demais, até que se fez justiça”, disse Arguello à saída da corte, de mãos dadas com sua mulher, Carla. O casamento entre pessoas do mesmo sexo tinha sido expressamente proibido na Flórida com base em uma emenda à Constituição aprovada em 2008 por 62% dos eleitores do Estado. Em agosto de 2014, o juiz federal do distrito, Robert Hinkle, estabeleceu que semelhante norma era inconstitucional, mas a sentença foi então submetida a um longo processo de apelações que culminou na segunda-feira à meia-noite com o levantamento oficial da proibição.

Doze horas antes de se cumprir o prazo previsto, ao meio dia da segunda-feira começaram a ser celebradas as primeiras bodas no condado de Miami-Dade, onde seis casais tinham reivindicado seu direito de obter licenças de casamento. Depois, a partir da meia-noite seguiram-se dezenas de cerimônias individuais e em massa nos condados vizinhos de Broward (Fort Lauderdale), Palm Beach e Monroe (Keys da Florida). Em contrapartida, os condados mais conservadores do norte do Estado e da baía de Tampa suspenderam nesta terça-feira a emissão de licenças de casamento para não se verem obrigados a casar pessoas do mesmo sexo.

O casamento homossexual é reconhecido pelo Governo Federal dos Estados Unidos desde 26 de junho de 2013, depois de o Supremo Tribunal declarar a inconstitucionalidade da Lei de Defesa do Casamento (Defense of Marriage Act, conhecida como lei DOMA, na sigla em inglês), promulgada em 1996 por Bill Clinton, que definia o matrimônio como a união legal entre um homem e uma mulher. No entanto, essas uniões só são reconhecidas em Washington DC e nos 36 Estados onde foram expressamente legalizadas.

A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo foi recebida com grande entusiasmo pelas instituições e empresas que promovem o turismo na Flórida, e que buscam atrair a estas costas mais gays, lésbicas e transgêneros com interesse em se casar. “Uma das coisas que desejamos que nossos amigos da comunidade LGBT de todo o país saibam é que obtivemos finalmente a oportunidade pela qual trabalhamos e lutamos, que é permitir que se casem em um dos lugares favoritos para ir de férias”, disse ao diário Miami Herald o presidente do Escritório de Convenções e Visitantes da Grande Fort Lauderdale, Nicki Grossman, que espera celebrar até 100 casamentos gays por mês. Enquanto isso, o condado Miami-Dade convocou os casais do mesmo sexo de todo o país a participar de um concurso de “histórias de amor”, que será premiado com a estadia de uma semana em Miami Beach, com todas as despesas pagas.