Ciberataque à Sony

Coreia do Norte faz críticas aos EUA após novas sanções

Pyongyang considera que Washington “demonstra repugnância e a hostilidade” com o país

Obama em Las Vegas e Kim Jong-un em seu discurso de Ano Novo
Obama em Las Vegas e Kim Jong-un em seu discurso de Ano Novo (EFE)

A Coreia do Norte rebateu de frente neste domingo a imposição de mais sanções por parte dos Estados Unidos, e negou novamente ser responsável pelo ciberataque contra a Sony Pictures. O regime de Kim Jong-un considera que a decisão, aprovada por Barack Obama na sexta-feira, reflete “a repugnância e a grande hostilidade" das políticas de Washington contra o país asiático.

“As ações persistentes e unilaterais da Casa Branca voltadas a atingir com sanções a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) demonstram claramente a incorrigível repugnância e hostilidade que sentem”, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores norte-coreano à agência oficial KCNA. Além disso, destacou que a decisão “resultará contraproducente, já que não enfraquecerá o país, mas sim fortalecerá ainda mais sua política militar”.

As novas sanções afetam três empresas norte-coreanas vinculadas aos serviços de inteligência e de defesa do país e dez altos cargos do regime. São parte da resposta “proporcional” prometida por Barack Obama contra o ataque cibernético que paralisou a Sony Pictures, um incidente que o FBI atribui a piratas informáticos norte-coreanos. O ataque aconteceu poucas semanas antes da estreia do filme A Entrevista, uma comédia baseada em uma tentativa fictícia de assassinar o líder norte-coreano, Kim Jong-un. Após o ocorrido e as ameaças posteriores, a empresa recuou e cancelou a estreia, mas as críticas da opinião pública e do próprio Obama conseguiram que o filme finalmente fosse projetado em salas de cinema independentes e fosse distribuído através de plataformas digitais pagas.

“A Sony Pictures produziu um filme que incita abertamente o terrorismo contra um Estado soberano com o qual recebeu apenas censura e a crítica tanto dentro de seu país como no exterior”, disse o comunicado. Os altos cargos do regime norte-coreano, por meio dos meios de comunicação estatais, estão há meses criticando duramente o filme –o classificaram de “ato de guerra” e chamaram Obama de “macaco” pelo fato de ter defendido a estreia do longa— mas sempre negaram ter orquestrado o ataque da Sony.

Pyongyang atacou Washington por difundir “acusações infundadas e calúnias”, pediu provas conclusivas e chegou a propor uma comissão de investigação conjunta para esclarecer as causas do incidente, algo que os Estados Unidos rechaçaram. Nesse sentido, o porta-voz norte-coreano reiterou que as acusações do FBI são “absurdas” e repetiu as opiniões de alguns especialistas em cibersegurança, que demonstraram ceticismo sobre a ligação da Coreia do Norte com o caso.

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“Os Estados Unidos perseguem uma política baseada em sufocar a Coreia do Norte para salvar sua cara e manchar a imagem da RPDC a qualquer custo”, acrescentou o comunicado. O regime comunista já acusou Washington de estar por trás dos contínuos cortes na Internet sofridos nas páginas dos principais meios de comunicação do país durante uma semana.

As novas sanções contra a Coreia do Norte bloquearam os ativos das empresas e de altos cargos do regime em território norte-americano e os impediram de ter acesso ao sistema financeiro do país, entre outras consequências. Os especialistas asseguram que a decisão não terá um impacto significativo, uma vez que o país já está sujeito a várias sanções econômicas por parte da comunidade internacional.

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