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Papa pede para que “nunca mais” existam guerras e escravos

Francisco condena “a corrupção” na homília de Ano Novo na Basílica de São Pedro

O papa Francisco em missa na Basílica de São Pedro.
O papa Francisco em missa na Basílica de São Pedro.E. F. (EFE)

“Não escravos, mas irmãos”, foi o pedido do papa Francisco durante a homília de Ano Novo na Basílica de São Pedro, com mais de 50.000 fiéis esperando na quinta-feira o primeiro Angelus do ano. “É preciso lutar contra as formas modernas de escravidão”, continuou em sua mensagem. Em seu discurso esclareceu que se referia aos “muitos imigrantes que, em sua dramática viagem, sofrem a fome, se veem privados da liberdade, despojados de seus bens ou dos que são abusados física e sexualmente”, mas também “de tantos trabalhadores e trabalhadoras, até mesmo menores, oprimidos de maneira formal ou informal em todos os setores, desde o trabalho doméstico à agricultura, da indústria manufatureira à mineradora”.

Para o Pontífice, “a pobreza” encabeça as causas que contribuem para o aparecimento de formas de escravidão moderna, seguida da “falta de educação” e das “escassas, para não dizer inexistentes, oportunidades de trabalho”. Palavras de denúncia que na realidade já haviam sido adiantadas no dia 12 de dezembro pelo Vaticano, na apresentação do primeiro discurso do ano no qual o bispo de Roma relembrou as empresas que elas têm “o dever” de garantir aos seus empregados “condições de trabalho dignas e salários adequados”.

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Francisco também condenou “a corrupção daqueles que estão dispostos a fazer qualquer coisa para enriquecer”, argumento usado em 31 de dezembro, durante a realização do Te Deum com o qual se despediu de 2014. Na última homília do ano, o Pontífice condenou o escândalo Máfia Capital que sacudiu os alicerces de Roma revelando uma vasta rede criminosa na qual funcionários públicos e políticos locais se apropriaram de fundos destinados, precisamente, aos centros de acolhimento de imigrantes e outros serviços sociais para os mais necessitados. Após assegurar que a capital da cristandade precisa “renovar-se moral e espiritualmente”, o Papa concluiu assegurando que é preciso “servir aos pobres, e não servir-se dos mais frágeis”.

“A paz sempre é possível e em sua raiz está a reza”, disse Francisco. “Guerras nunca mais, nunca mais! Mas sempre o desejo e o empenho de fraternidade entre os povos”.