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FMI suspende a ajuda para a Grécia até que exista novo Governo

A decisão do Fundo não compromete os pagamentos de Atenas pelo menos até março O Ibex recupera as perdas no fechamento com uma queda de 0,93%

Deputados gregos saem do Parlamento após a votação.
Deputados gregos saem do Parlamento após a votação.ALKIS KONSTANTINIDIS (REUTERS)

A convocação de eleições antecipadas na Grécia pela falta de apoio do Governo deixou os mercados tensos pelas incertezas que aparecem agora sobre o futuro do país e de seu resgate. O adiantamento da data para as urnas abre a porta para uma vitória do esquerdista Syriza, o partido favorito nas pesquisas, mas temido pelos investidores por conta de sua promessa de renegociar o programa de ajuda. A situação, portanto, ameaça reviver uma crise do euro que, quatro anos depois, continua sem estar encerrada. Além disso, para aumentar as dúvidas dos mercados, o FMI anunciou na tarde de uma segunda-feira movimentada que suspenderá a ajuda até que exista novo Governo. A decisão, ainda que no momento não afete a capacidade de pagamento de Atenas, deixa no ar o que acontecerá quando concluir-se a atual prorrogação que garante a liquidez do Estado grego até março.

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O porta-voz do Fundo, Gerry Rice, explicou na tarde de segunda que as conversas com a Grécia sobre a sexta parcela da ajuda “serão retomadas assim que o novo Governo tomar posse”. Entretanto, disse que o país “não enfrenta necessidades de financiamento imediato”. De fato, conforme reconheceu horas antes o ministro das Finanças grego, Gikas Hardouvelis, os possíveis problemas de liquidez não acontecerão até março, quando terminar a prorrogação do resgate atual. Em 2015 o país precisa receber os 1,8 bilhões de euros (5,9 bilhões de reais) da próxima parcela da ajuda se não quiser dar um calote, uma possibilidade que dispararia novamente as turbulências em toda a Europa.

O FMI tem um programa de ajuda para a Grécia de aproximadamente 29 bilhões de euros (95 bilhões de reais). Esse crédito, que acaba em 2016, entra dentro do grande resgate internacional, que chega em 130 bilhões de euros (428 bilhões de reais) com os fundos dos parceiros europeus. A ‘troika’ (Comissão Europeia, BCE e FMI) deveria voltar para a Grécia em janeiro para continuar com sua avaliação das reformas acertadas em troca do resgate e autorizar a próxima parcela do crédito.

Sobre isso, a suspensão do resgate chega em um momento no qual as relações entre os credores e o Governo de Antonis Samaras não atravessam seu melhor momento. Apesar da pressão internacional, o primeiro-ministro se negou a subir o IVA dos medicamentos e não fez um novo corte nas aposentadorias, que eram duas das últimas exigências dos credores. Agora sua recusa é vista de outra maneira após a convocação das eleições. Entretanto, diante da possibilidade de que outras reformas aprovadas sejam paradas, o Governo alemão já advertiu por intermédio de seu ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, de que devem seguir em frente e que não aceitarão nenhum passo para trás de Atenas.

O momento de maior tensão do dia foi por volta de meio-dia (8h de Brasília), ao se conhecer o resultado da votação do candidato proposto pelo conservador Samaras, o ex-delegado europeu Stavros Dimas. Esse recebeu somente 168 votos a favor, longe dos 180 necessários.

“Isso é uma má notícia para a Grécia e o resto da zona do euro, é preciso ver como evoluem a campanha e as pesquisas nas próximas semanas”, resumiu Raimund Saxinger, da GmbH. Luca Cazzulani, estrategista da Unicredit, acrescentou em declarações para a Bloomberg que a Grécia será um foco de incertezas durante um tempo. As eleições estão previstas para ocorrer em 25 de janeiro, quando deveriam acontecer em 2016. Entretanto, Cazzulani relembrou que os mercados continuam contando com a rede de segurança que as medidas do BCE implicam, e que garantam a liquidez. Esse fato é o que, na sua opinião, explica que a tensão não tenha chegado na dívida espanhola e na italiana. A grega, entretanto, sofreu com as vendas e a rentabilidade exigidas às suas bonificações de três anos, as primeiras que o país colocou no mercado após o resgate, chegaram em 11,5%, seu nível mais alto desde julho, quando foram colocadas entre os investidores.

Da sua parte, entre os mercados das bolsas de valores mais danificados da segunda-feira, a Bolsa grega chegou a cair 11% após a confirmação do resultado da terceira e última votação no Parlamento. Entretanto, o índice subiu um pouco até fechar com uma queda inferior a 4%. Apesar disso, um terço de seu valor foi perdido em 2014.

Na Espanha, o índice Ibex chegou a ficar em 2,4% negativos no momento em que era conhecido o resultado da votação. Entretanto, após esse mínimo do dia os números vermelhos tiveram uma recuperação e acabaram fechando com uma queda de 0,93%, abrindo em 10.384 pontos na terça-feira. No restante dos mercados europeus somente Milão acabou a sessão no vermelho, com um índice negativo de 1%, apesar das vultosas vendas que ocorreram durante a manhã. Nas divisas, o euro chegou perto do seu nível mais baixo dos últimos anos, acima dos 1,21 dólares (3,27 reais), ainda que depois tenha conseguido subir à medida que a sessão avançava.

Para os investidores, o ocorrido em Atenas ameaça amargar o final de um ano que, a não ser que ocorra uma hecatombe, terminará no azul. Para os dois dias que restam quase não existem referências e é preciso lembrar que no dia 31 os mercados abrem somente em meio período. No caso do Ibex, o índice subiu 4,71% em todo 2014, tirando os dois últimos dias que faltam.

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